«Daqui a alguns anos estarás mais arrependido pelas coisas que não fizeste do que pelas que fizeste. Solta as amarras! Afasta-se do porto seguro! Agarra o vento em suas velas! Explora! Sonha! Descubra!»

(Mark Twain [1835-1910] – escritor e humorista norte-americano)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; tenho Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, realizo meu Pós-doutorado na PUC de São Paulo. Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

sábado, 22 de outubro de 2016

30º Domingo do Tempo Comum – Ano C – Homilia

Evangelho: Lucas 18,9-14


Naquele tempo:
9 Jesus contou esta parábola para alguns que confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros:
10 «Dois homens subiram ao Templo para rezar: um era fariseu, o outro cobrador de impostos.
11 O fariseu, de pé, rezava assim em seu íntimo: “Ó Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens, ladrões, desonestos, adúlteros, nem como este cobrador de impostos.
12 Eu jejuo duas vezes por semana, e dou o dízimo de toda a minha renda”.
13 O cobrador de impostos, porém, ficou à distância, e nem se atrevia a levantar os olhos para o céu; mas batia no peito, dizendo: “Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador!”.
14 Eu vos digo: este último voltou para casa justificado, o outro não. Pois quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado.»

JOSÉ ANTONIO PAGOLA

A POSTURA JUSTA

Segundo Lucas, Jesus dirige a parábola do fariseu e do publicano a alguns que presumem ser justos diante de Deus e desprezam os demais. Os dois protagonistas que sobem ao Templo para orar representam duas atitudes religiosas contrapostas e irreconciliáveis. Porém, qual é a postura justa e correta diante de Deus? Esta é a pergunta de fundo.

O fariseu é um observante escrupuloso da lei e um praticante fiel de sua religião. Sente-se seguro no Templo. Ora de pé e com a cabeça erguida. Sua oração é a mais bonita: uma oração de louvor e ação de graças a Deus. Porém, não rende graças a Deus por sua grandeza, sua bondade ou misericórdia, mas por Ele mesmo ser bom e grandioso.

Logo se observa algo falso nesta oração. Mais que rezar, esse homem contempla a si mesmo. Conta a sua própria história cheia de méritos. Ele necessita sentir-se em dia com Deus e exibir-se como superior aos demais.

Este homem não sabe o que é orar. Não reconhece a grandeza misteriosa de Deus nem confessa sua própria pequenez. Buscar a Deus para enumerar, diante d’Ele, nossas boas obras e depreciar os demais é imbecilidade. Por detrás de sua aparente piedade, esconde-se uma oração «ateia». Este homem não necessita de Deus. Não lhe pede nada. Basta-se a si mesmo!

A oração do publicano é muito diferente. Ele sabe que a sua presença no Templo é mal vista por todos. A sua função de arrecadador de impostos é odiada e desprezada. Ele não se desculpa. Reconhece que é pecador. Seu gesto de bater no peito e as poucas palavras que sussurra dizem tudo: «Ó Deus! Tende compaixão deste pecador».

Este homem sabe que não pode vangloriar-se. Não tem nada para oferecer a Deus, porém ele tem muito a receber d’Ele: seu perdão e sua misericórdia. Em sua oração há autenticidade. Este homem é pecador, porém está no caminho da verdade.

O fariseu não se encontrou com Deus. Este coletor de impostos, pelo contrário, encontra logo a postura correta diante d’Ele: a atitude de quem nada tem e necessita de tudo. Ele não se detém sequer a confessar com detalhes suas culpas. Reconhece-se pecador. Dessa consciência brota sua oração: «Tende compaixão deste pecador».

Os dois sobem ao Templo para orar, porém cada um leva em seu coração sua imagem de Deus e seu modo de relacionar-se com Ele. O fariseu segue envolvido em uma religião legalista: para ele o importante é estar em dia com Deus e ser mais observante do que todos os outros. O coletor de impostos, elo contrário, abre-se ao Deus do Amor que prega Jesus: aprendeu a viver do perdão, sem vangloriar-se de nada e sem condenar a ninguém.

ESTA PARÁBOLA NOS DIAS DE HOJE

1º) A parábola está nos dizendo que se queremos apresentar o Deus de Jesus Cristo, temos de apresentá-lo como alguém que adota sempre uma atitude de perdão e de misericórdia diante do homem que se mostra sem exigências, sem reclamações nem direitos, mas humilde, arrependido e confiante no perdão. Deus sempre é assim. Apresentá-lo de outra maneira é falsificá-lo.

2º) A justificação [salvação] do homem baseia-se, ao final, na misericórdia de Deus e não em suas obras e méritos. Somente Deus justifica e santifica o homem que sabe arrepender-se. Por conseguinte, a mensagem de Jesus é uma mensagem de ânimo, de esperança. É uma Boa Notícia para os que se sentem pecadores. E essa mesma mensagem remove a garantia de segurança àqueles que não têm consciência do pecado: pobre daquele que não se sente pecador! O que eleva o homem é a misericórdia de Deus. Não basta cumprir rigorosamente a religião: o fariseu fez tudo, porém lhe faltou o mais importante, ou seja, uma atitude de humildade perante Deus.

3º) Desta parábola se extrai a conclusão que essa tendência legalista que todos temos deve ser criticada, a qual é sempre a grande tentação do homem. Inconscientemente, buscamos uma segurança diante de Deus, baseada em nossas obras. Quase sem nos dar conta que buscamos encher nossas mãos para apresentar-nos seguros perante Deus. O Evangelho de Jesus é uma crítica dessa postura. Há uma Boa Notícia muito melhor: podemos apresentar-nos perante Deus com segurança, PORÉM não devido aquilo que tenhamos feito, mas pela bondade que Ele é.

4º) É também uma crítica a toda postura dos fiéis que depreciam e julgam os outros. Tenhamos cuidado! Sem nos darmos conta, podemos estar identificados com o publicano e julgar depreciativamente os que vivem a religião de forma parecida aos fariseus: é muito fácil ser fariseu crendo-se publicano...

5º) E, por último, para que a oração seja um encontro frutuoso com Deus, deve ser humilde, arrependida, confiante. Uma oração feita com autossuficiência e com orgulho perante Deus não justifica nada. Por isso, há a necessidade que saibamos criticar posturas que existem em nós de autossuficiência e de perfeição litúrgica. Às vezes, criticamos liturgias malfeitas, porém, talvez, elas sejam mais sinceras. Diante de Deus não há perfeição litúrgica, mas uma pessoa que bata em seu coração, reze o rosário ou faça uma celebração de Maria, a pobre de Javé...

Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: MUSICALITURGICA.COM – Homilías de José A. Pagola – Segunda-feira, 17 de outubro de 2016 – 16h43 [Horário Centro-Europeu/Espanha] – Internet: clique aqui.

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