«A corrupção, como um câncer, está corroendo a vida cotidiana dos povos.»

(Papa Francisco – Mensagem enviada aos bispos da América Latina e Caribe em Assembleia de 9 a 12 de maio de 2017)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

BOMBAS À VISTA ! ! !

Delação chegando...

Eliane Cantanhêde

Eduardo Cunha fará delação, Fernando Collor está na pior
e o problema é o SISTEMA
EDUARDO CUNHA (ex-deputado federal pelo PMDB do RJ cassado) e
FERNANDO COLLOR DE MELLO (atual Senador pelo PTC-AL, ex-presidente da República cassado)
Eles sempre riram da cara dos brasileiros ! ! !
Cunha aguentou 25 anos de poder e Collor até agora não pagou pelo que fez!

Não há um só político, um só agente público e um só jornalista em Brasília e no Rio de Janeiro, no mínimo, que não saiba exatamente quem é Eduardo Cunha, não tenha ouvido falar de sua ousadia sem limite, seus métodos de intimidação e sua relação para lá de heterodoxa com a coisa pública. O que espanta, portanto, não é a sua prisão, mas o fato de ele ter sobrevivido e voado tão alto nesses 25 anos, apesar de tudo.

Cunha emergiu em 1989, surfando no velho PRN e na campanha de Fernando Collor de Mello. Eleito Collor, foi presidente da Telerj, onde foi acusado de... fraudes em licitações e contratos. Já no também velho PPB, foi subsecretário de Habitação do Rio e depois presidente da Companhia Estadual de Habitação (Cehab) no governo Anthony Garotinho, onde também foi acusado de... fraudes em licitações e contratos.

A (má) fama de Cunha completa assim 25 anos e já corria mundo quando, em 1996, o então presidente Fernando Henrique Cardoso [FHC] recusou o nome dele para diretor comercial, justamente, da Petrobrás. Segundo anotações do próprio FHC, registradas no livro Diários da Presidência, ele ouviu e reagiu: “Imagina!”.

Por tudo isso, não há nenhuma surpresa na prisão de Cunha agora, mas é um espanto, um escândalo, absolutamente inacreditável que ele tenha galgado degrau por degrau a vida política, até se eleger deputado federal em 2002 e chegar em 2015 a presidente da Câmara, o segundo cargo na linha sucessória da Presidência da República. [Isso demonstra, sem apelação, a podridão do sistema político-eleitoral do Brasil! Se isso não mudar, nada mudará!]

O céu era o limite para ele, que se filiou ao PMDB em 2003, primeiro ano de Lula, e passou a comprar sua bancada suprapartidária particular e a engordar os tais trustes no exterior com os mesmos métodos de sempre – fraudes em licitações e contratos. Tudo com um objetivo, ou obsessão: subir a rampa do Planalto como presidente do Brasil.

Pergunta que não quer calar: o que falhou no sistema político, nos filtros partidários, na fiscalização dos órgãos públicos e na Justiça, para que durante duas décadas e meia um personagem assim continuasse vivo politicamente, vitorioso e fazendo o que sempre fez a vida toda, ora com navios-sonda da Petrobrás, ora com contratos na África, ora com o FI-FGTS? O que dizem o PMDB, o Ministério Público, a Polícia Federal, a Justiça e o Congresso, que cria as leis?

Há algo profundamente errado neste reino que não é da Dinamarca, tanto que Collor, alavanca de Cunha na vida pública, sofreu impeachment, viveu nababescamente seus anos de inelegibilidade, voltou como senador por Alagoas, ganhou as bênçãos de Lula e hoje é acusado de 30 crimes pela Procuradoria-Geral da República e alvo de seis investigações no mesmo Supremo que o absolvera antes.

Os troféus de Cunha são hotéis, joias e bolsas pagas a peso de ouro para sua mulher, Cláudia Cruz. Os de Collor são carrões e quadros, como um Di Cavalcanti de mais de R$ 1 milhão. É ou não rir na cara da gente? Aliás, o que pensam hoje os “caras-pintadas”?

Condenar Eduardo Cunha e Fernando Collor não é a solução, é só parte da solução, porque eles são resultado de um sistema que facilita a corrupção, premia os corruptos e enaltece a “esperteza”. A Lava Jato e esse extraordinário processo de depuração por que passa o Brasil não podem ser contra apenas pessoas, mas principalmente contra um sistema em que germinam, crescem e engordam essas pessoas.

Se Cunha vai fazer delação premiada? Não tenha a mínima dúvida. Ele vai. E, como dizem o deputado Miro Teixeira (Rede-RJ) e a senadora Ana Amélia (PP-RS), ele conhece como poucos as entranhas do poder. Que conte tudo e dê nome aos bois, “duela a quem duela” [doa a quem doer!], a la Collor. O Planalto treme, porque Cunha não é um a mais no PMDB, é da cúpula do partido e, dentro dela, do grupo do presidente Michel Temer. E é aquela velha história: quem não deve não teme – nem treme.

Fonte: O Estado de S. Paulo – Política/Colunistas – Sexta-feira, 21 de outubro de 2016 – Pág. A6 – Internet: clique aqui.

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