«O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete.»

(Aristóteles [384 a.C. – 322 a.C.] – filósofo grego, discípulo de Platão)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

sábado, 26 de novembro de 2016

1º Domingo do Advento – Ano Litúrgico A – Homilia

Evangelho: Mateus 24,37-44

Naquele tempo, Jesus disse aos seus discípulos:
37 «A vinda do Filho do Homem será como no tempo de Noé.
38 Pois nos dias, antes do dilúvio, todos comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca.
39 E eles nada perceberam até que veio o dilúvio e arrastou a todos. Assim acontecerá também na vinda do Filho do Homem.
40 Dois homens estarão trabalhando no campo: um será levado e o outro será deixado.
41 Duas mulheres estarão moendo no moinho: uma será levada e a outra será deixada.
42 Portanto, ficai atentos! Porque não sabeis em que dia virá o Senhor.
43 Compreendei bem isso: se o dono da casa soubesse a que horas viria o ladrão, certamente vigiaria e não deixaria que a sua casa fosse arrombada.
44 Por isso, também vós ficai preparados! Porque na hora em que menos pensais, o Filho do Homem virá.

JOSÉ ANTONIO PAGOLA 

DESPERTAR

Jesus repetiu isto mais de uma vez: «estai sempre vigilantes». Era a sua grande preocupação: que o fogo inicial se apagasse e os seus seguidores dormissem. Esse é o grande risco dos cristãos: instar-nos comodamente em nossas crenças, «acostumarmos» ao Evangelho e vivermos adormecidos na observância tranquila de uma religião apagada. Como despertar?

A primeira coisa é retornar a Jesus e sintonizar-nos com a experiência primeira que desencadeou tudo. Não basta instalar-nos «corretamente» na tradição. Temos de enraizar nossa fé na pessoa de Jesus, voltar a nascer de seu espírito. Não há nada mais importante que isto na Igreja. Somente Jesus nos pode conduzir de novo ao essencial.

Necessitamos, além disso, reavivar a experiência de Deus. O essencial do Evangelho não se aprende a partir de fora. Cada um descobre-o em seu interior como Boa Notícia de Deus. Temos de aprender e ensinar caminhos para encontrarmo-nos com Deus. De pouco serve desenvolver temas didáticos de religião ou prosseguir discutindo questões de «moral sexual», se não despertamos em ninguém o gosto por um Deus amigo, fonte de vida digna e feliz.

Há algo mais. O princípio a partir do qual Jesus vivenciava Deus e observava a sua vida inteira não era o pecado, a moral ou a lei, mas o sofrimento das pessoas. Jesus não somente amava os desgraçados, mas não amava mais nada acima deles. Não estamos seguindo bem os passos de Jesus se vivemos mais preocupados pela religião que pelo sofrimento das pessoas. Nada despertará a Igreja da sua rotina, imobilismo e mediocridade se não nos comove mais a fome, a humilhação e o sofrimento.

O importante para Jesus é sempre a vida digna e feliz das pessoas. Por isso, se o nosso «cristianismo» não serve para fazer viver e crescer, não serve para o essencial por mais nomes piedosos e veneráveis que o queiramos designar.

O Advento é um tempo apropriado para reagir. Não devemos olhar os outros. Cada um deve sacudir de cima de si a indiferença, a rotina e a passividade que nos faz viver adormecidos.

REORIENTAR A VIDA

Nem sempre é fácil dar um nome a esse mal-estar profundo e persistente que podemos sentir em algum momento da vida. Assim me confessaram, em mais de uma ocasião, pessoas que, por outro lado, buscavam «algo diferente», uma luz nova, talvez uma experiência capaz de dar um colorido novo ao seu viver diário.

Podemos chamá-lo de «vazio interior», insatisfação, incapacidade de encontrar algo sólido que preencha o desejo de viver intensamente. Talvez fosse melhor chamá-lo de «tédio», cansaço de viver sempre o mesmo, sensação de não discernir o segredo da vida: estamos nos equivocando em algo essencial e não sabemos exatamente em quê.

Às vezes, a crise adquire um tom religioso. Podemos falar de «perda da fé»? Não sabemos mais em que crer, nada consegue iluminar-nos por dentro, abandonamos a religião ingênua de outros tempos, porém não a substituímos por nada melhor. Pode crescer, então, em nós uma sensação estranha de culpa: ficamos sem princípio algum para orientar nossa vida. O que podemos fazer?

A primeira atitude é não ceder à tristeza nem à depressão: tudo nos está convidando a viver. No interior desse mal-estar tão persistente há algo de suma importância: nosso desejo de viver algo maior e menos postiço, algo mais digno e menos artificial. O que necessitamos é reorientar nossa vida. Não se trata de corrigir um aspecto concreto de nossa pessoa. Isso virá, talvez, depois. Agora, o importante é ir ao essencial, encontrar uma fonte de vida e de salvação.

Hoje não é um domingo a mais para os cristãos. Com este primeiro domingo do Advento, começamos um novo Ano Litúrgico. Por isso, o apelo urgente que se escuta hoje: «Estai vigilantes», «Percebei o momento em que viveis», «É hora de despertar». Todos devemos nos interrogar sobre do que estamos descuidando em nossa vida, o que devemos mudar, a que temos de dedicar mais atenção e mais tempo.

As palavras de Jesus são dirigidas a todos e a cada um de nós: «Vigiai». Temos de reagir. Se o fizermos, viveremos um desses raros momentos em que nos sentimos «despertos» desde o mais profundo de nosso ser.

Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte:  Sopelako San Pedro Apostol Parrokia – Sopelana (Bizkaia – Espanha) – J. A. Pagola – Ciclo A – Internet: clique aqui.

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