«Daqui a alguns anos estarás mais arrependido pelas coisas que não fizeste do que pelas que fizeste. Solta as amarras! Afasta-se do porto seguro! Agarra o vento em suas velas! Explora! Sonha! Descubra!»

(Mark Twain [1835-1910] – escritor e humorista norte-americano)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; tenho Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, realizo meu Pós-doutorado na PUC de São Paulo. Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Consequências de um Estado falido!

Rio virou um “filme de terror”, diz moradora

Roberta Pennafort

Crise financeira do Estado afetou a vida de quem mais precisa
dos serviços públicos, isto é, os mais pobres 
Médicos do Rio de Janeiro realizam protesto diante do Conselho Regional de Medicina 
denunciando a situação de calamidade em que se encontra a saúde.
E observemos que esta manifestação foi em julho do ano passado!

Escola sem merenda, hospital sem remédio, universidade com serviços claudicantes de limpeza e segurança, delegacia vivendo à custa de doações de papel e de tinta para impressora. Os impactos sociais do colapso financeiro do Estado do Rio vêm sendo sentidos desde o ano passado pela população, que teme agora por 2017.

“Tem dia em que você está na fila da merenda e falam: ‘acabou!’. Aí tenho de comprar quentinha, que custa R$ 10. Não sei onde vamos chegar desse jeito”, lamentou Laura Vitória Fraga dos Santos, de 16 anos, aluna do 1º ano do ensino médio do Colégio Estadual Julia Kubitschek, no centro do Rio.

Na minha escola antiga, o almoço eram três biscoitos de água e sal, e nem tinha para todo mundo. Pedi transferência por causa disso, mas agora nem sei se continuo aqui ano que vem”, disse Laura, que está na nova escola há quatro meses e ainda não recebeu os livros. Quando tem prova, precisa fotografar as páginas dos livros dos colegas para poder estudar. O cartão de transporte, que permite que ela ande gratuitamente no ônibus para ir à aula, tampouco lhe foi entregue. “O que dizer de um Estado que não dá merenda nem transporte para os estudantes? É o fundo do poço”, criticou o pai dela, o aposentado Laurinésio dos Santos, de 71 anos.

Cerca de 70 escolas estaduais foram ocupadas por alunos por dois meses, entre março e maio, em apoio à greve dos professores e como forma de pressionar o governo pelo aprimoramento das condições de ensino. Na ocasião, os estudantes denunciaram infraestrutura precária de escolas, falta de livros e apostilas, de climatização das salas e de passe livre nos meios de transporte. As ocupações acabaram sufocadas pelo governo do Estado, mas a situação não melhorou. 
Corredores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) sujos por falta de coleta do lixo;
empresas terceirizadas não receberam do Estado e deixaram de realizar o serviço

Com serviços de limpeza e segurança sendo pagos com atraso, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) também é cenário da crise, e chegou a adiar provas de seu vestibular 2017. Os banheiros são insalubres, laboratórios da área biomédica carecem de insumos. Bolsas destinadas ao custeio de estudantes cotistas, usados para transporte, alimentação e xerox de material de estudo sofreram atrasos.

No setor da saúde, o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) decretou estado de emergência há onze meses, como forma de acelerar repasses do governo federal. Hospitais de urgência e emergência convivem desde então com a falta de itens como gaze, prótese e esparadrapo. O atraso nos repasses para fornecedores levou à redução no efetivo de profissionais de limpeza e na alimentação destinada a pacientes internados.

Os casos mais graves foram verificados no Albert Schweitzer, em Realengo, na zona oeste no Rio, o Getúlio Vargas, na Penha, na zona norte, e no Hospital Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, justamente as unidades de referência em suas regiões. No Rocha Faria, em Campo Grande, na zona oeste, até acúmulo de sacos de lixo nos corredores se viu. Familiares de pacientes se mobilizaram para fazer faxina.

Geridas por organizações sociais (privadas, que recebem dinheiro público), as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) também foram sacrificadas, e chegaram a recusar pacientes. Com salários atrasados, parte dos funcionários vem limitando o horário de trabalho. Nesta terça-feira, a cuidadora de idosos Maria do Socorro Araújo, de 43 anos, reclamava de dor em frente à UPA de Botafogo, na zona sul.

“Cheguei com muita dor pélvica, a médica me olhou e me deu uma receita para comprar remédio na farmácia. A UPA tinha de fornecer. Não tenho plano de saúde nem dinheiro sobrando. Moro na Baixada Fluminense e lá ainda está muito pior”, afirmou.

Sua prima, a diarista Ineide Araújo, de 42 anos, chamou a situação de “filme de terror”. “Vimos uma moça com hemorragia saindo daqui aos prantos, se esvaindo em sangue. É uma situação revoltante, e o pior é que eu acho que é só o começo”, disse.

A penúria nas polícias Militar e Civil se traduz no racionamento de combustíveis das patrulhas, que resulta na diminuição do patrulhamento, e na falta de insumos básicos para registro de ocorrências.

Na delegacia do Catete, na zona sul, a solução veio de moradores. A professora aposentada Maria Thereza Sombra, de 72 anos, presidente de uma associação que abrange 6 mil moradores, mobilizou os vizinhos para conseguir material para a unidade: compraram papel A4, toner para impressora, grampeador, papel higiênico, e os policiais foram buscar. “Eu me sinto na obrigação de ajudar”, contou. Um outro morador, que tem uma empresa de segurança, mandou instalar câmeras na delegacia, que já foi assaltada uma vez.

Fonte: O Estado de S. Paulo – Economia & Negócios – Quarta-feira, 9 de novembro de 2016 – Pág. B4 – Internet: clique aqui.

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