«Daqui a alguns anos estarás mais arrependido pelas coisas que não fizeste do que pelas que fizeste. Solta as amarras! Afasta-se do porto seguro! Agarra o vento em suas velas! Explora! Sonha! Descubra!»

(Mark Twain [1835-1910] – escritor e humorista norte-americano)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; tenho Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, realizo meu Pós-doutorado na PUC de São Paulo. Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

sábado, 31 de dezembro de 2016

Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus – Ano A – Homilia

Evangelho: Lucas 2,16-21

Naquele tempo:
16 Os pastores foram às pressas a Belém e encontraram Maria e José, e o recém-nascido, deitado na manjedoura.
17 Tendo-o visto, contaram o que lhes fora dito sobre o menino.
18 E todos os que ou viram os pastores ficaram maravilhados com aquilo que contavam.
19 Quanto a Maria, guardava todos estes fatos e meditava sobre eles em seu coração.
20 Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo que tinham visto e ouvido, conforme lhes tinha sido dito.
21 Quando se completaram os oito dias para a circuncisão do menino, deram-lhe o nome de Jesus, como fora chamado pelo anjo antes de ser concebido.


JOSÉ MARÍA CASTILLO & JOSÉ ANTONO PAGOLA

O primeiro dia do ano civil, segundo o calendário ocidental, está dedicado pela Igreja à recordação e à veneração de Maria, a mãe de Jesus. Esta festa da “maternidade”, associada a “Deus”, é importante para a fé dos cristãos. E é, além disso, um bom ensinamento para todas as pessoas, que, a partir de qualquer crença religiosa, buscam o significado de Deus para suas vidas. Por quê?

As religiões tiveram uma acentuada tendência em pensar e explicar Deus a partir dos modelos mais em evidência de cada cultura. Pois bem, sabemos que as culturas centradas no elemento masculino, patriarcais e machistas foram predominantes na história da humanidade. Por isso, os “deuses” masculinos e associados ao “masculino” foram os mais importantes.

Nas tradições bíblicas isso resultou exageradamente certo. Assim, Deus nos é apresentado como “varão”, como “Pai”. Porém, nunca deveríamos esquecer que não podemos associar Deus com um sexo determinado, nem o masculino nem o feminino. Deus, como varão, como homem, como pai..., tudo isso não é senão uma metáfora.

Ninguém jamais viu a Deus (Jo 1,18). E vê-lo como ancião com barbas é um antropomorfismo no qual projetamos sobre Deus o poder que, em nossas culturas, exercem os varões sobre as mulheres. Esta é uma das deformações mais perigosas que as religiões, quase sempre conduzidas por homens, projetaram sobre Deus.

É uma deformação poderosa porque associaram Deus com o poder, porém não com a bondade e, menos ainda, com a delicadeza e a ternura. Quer dizer, arrancamos de Deus “o aspecto materno”; e o vinculamos somente ao paterno, ao autoritário, ao forte, ao justiceiro. E, no entanto, “o rosto materno de Deus” é algo que buscamos sem cessar e jamais terminamos de encontrá-lo. Por isso, as milhares de devoções à Virgem Maria têm, entre outras qualidades, a função de ocupar o vazio do “materno” e do “feminino”, que todos vivemos inconscientemente. Eis aqui, portanto, a importância fundamental deste dia.

ANO NOVO

Não é fácil começar o ano novo. O desconhecido inquieta, não sabemos o que nos trará. Por isso, o festejamos de maneira ruidosa: já não é só a ceia da véspera e as ofertas especiais das cadeias de televisão; cada vez mais gente começa o ano lançando fogos de artifício ou fazendo explodir foguetes. Também os antigos romanos faziam barulho para afugentar os maus espíritos no início do ano.

Porém, pode-se começar o ano em silêncio. É, sem dúvida, a maneira mais lúcida de adentrarmos no mistério desse tempo que não podemos deter e que constitui a nossa vida.

Não é difícil recordar o ano que se vai: vivemos alegrias e dissabores, fizemos coisas boas e cometemos erros; encontramo-nos com pessoas novas; amamos e sofremos; algo cresceu em mim e algo se apagou. Essa é minha verdade, esse sou eu. Se em algum lugar de minha alma continua viva uma pequena fé, posso agradecer, pedir perdão e confiar nesse Mistério que os crentes chamam Deus.

Chega, agora, o ano novo. O novo não somente inquieta, também tem seu atrativo. O novo é algo intacto, inédito, pleno de possibilidades: produz um prazer especial conduzir um veículo novo, escutar pela primeira vez um CD, estrear uma peça de roupa. Porém, o que pode haver de realmente novo no ano que começa? Talvez, aquilo que mais novidade possa introduzir em nossa vida é a nossa maneira de vivê-la.

* Posso ser um “homem novo”, uma “mulher diferente”?
* Podem despertar em mim ideias e sentimentos novos?
* Posso percorrer caminhos não trilhados, encontrar gestos novos, amar com nova ternura, aproximar-me de Deus com coração renovado?

Não é preciso que eu mude tudo. Na realidade o novo está já em gérmen dentro de mim. O importante é que eu viva atento ao melhor que há em meu coração acolhendo aquilo que me pode fazer crescer. Por isso, é bom que nos desejemos mutuamente um Ano Novo feliz, porém é melhor ainda que nos perguntemos:
* o que desejo realmente para mim?
* O que eu necessito?
* O que busco?
* O que seria para mim algo realmente novo e bom neste ano que começa?

Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: José María Castillo. La religión de Jesús. Comentario al Evangelio diario. Ciclo A (2013-2014). Bilbao: Desclée De Brouwer, 2013, p. 66-67; Sopelako San Pedro Apostol Parrokia – Sopelana (Bizkaia – Espanha) – J. A. Pagola – Ciclo A – Internet: clique aqui.

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