«Daqui a alguns anos estarás mais arrependido pelas coisas que não fizeste do que pelas que fizeste. Solta as amarras! Afasta-se do porto seguro! Agarra o vento em suas velas! Explora! Sonha! Descubra!»

(Mark Twain [1835-1910] – escritor e humorista norte-americano)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; tenho Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, realizo meu Pós-doutorado na PUC de São Paulo. Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

6º Domingo do Tempo Comum – Ano A – Homilia

Evangelho: Mateus 5,17-37

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
17 «Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas. Não vim revogar, mas levá-los à perfeição.
18 Porque eu vos declaro esta verdade: enquanto durar o céu e a terra, nem a menor letra nem o menor traço será tirado da Lei, até que todas as coisas tenham acontecido.
19 Portanto, quem desobedecer a um só destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar os homens a fazer o mesmo, será tido como o menor no Reino dos céus, mas aquele que o cumprir e ensinar, este será tido como grande no Reino dos céus.
20 Porque eu vos digo: se a vossa justiça não superar a dos escribas e fariseus, não entrareis no reino dos céus.
21 Ouvistes o que foi dito aos antepassados: Não matarás! pois quem matar será responsável em juízo.
22 Mas eu vos digo: Quem tiver raiva do seu irmão será responsável em juízo; quem o chamar de “imbecil” será responsável diante do tribunal superior; e quem o chamar de “excomungado” merecerá o castigo do fogo da geena.
23 Se estiveres para apresentar a tua oferta ao pé do altar, e ali te lembrares de que teu irmão tem qualquer coisa contra ti,
24 larga tua oferta diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão. Então voltarás, para apresentar a tua oferta.
25 Faze depressa as pazes com teu adversário enquanto estás a caminho com ele, para que o adversário não te entregue ao juiz e o juiz à polícia, e então serás lançado à cadeia.
26 Eu vos declaro esta verdade: de lá não sairás enquanto não pagares o último centavo.
27 Ouvistes o que foi dito: Não cometerás adultério.
28 Mas eu vos digo: Todo aquele que olhar para uma mulher com mau desejo já cometeu no seu coração adultério com ela.
29 Se teu olho direito te leva ao pecado, arranca-o e atira-o longe de ti, porque é preferível que percas um dos teus membros, a ser todo o teu corpo atirado à geena.
30 E se a tua mão direita te leva ao pecado, corta-a e atira-a longe de ti. É preferível que se perca um só dos teus membros a que todo o teu corpo seja atirado à geena.
31 De outra parte, também isto foi dito: Todo aquele que se divorciar da sua mulher, dê-lhe uma certidão de divórcio.
32 Mas eu vos digo: Todo aquele que se divorciar de sua mulher, exceto em caso de união ilegal, expõe-na ao adultério. E quem se casa com ela comete adultério.
33 Ouvistes o que foi dito aos antepassados: Não jurarás falso, mas cumprirás para com o Senhor os teus juramentos.
34 Porém, eu vos digo: Não jurareis de forma alguma: nem pelo céu, porque é o trono de Deus;
35 nem pela terra, porque é o apoio de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a Cidade do grande Rei.
36 Não jures por tua cabeça, porque não podes tornar branco ou preto um só cabelo.
37 Que o vosso falar seja: sim, se for sim; não, se for não. O que disseres além disso vem do Maligno.»

JOSÉ ANTONIO PAGOLA 
Jesus debatendo com Doutores da Lei

ENTENDER AS LEIS COMO JESUS

Os judeus falavam com orgulho da Lei de Moisés. Era o melhor presente que tinham recebido de Deus. Em todas as sinagogas guardavam-na com veneração dentro de um cofre depositado num lugar especial. Nessa Lei podiam encontrar tudo quanto necessitavam para ser fiéis a Deus.

Jesus, no entanto, não vive centrado na Lei. Não se dedica a estudá-la nem a explicá-la aos seus discípulos. Não se vê Jesus jamais preocupado por observá-la de forma escrupulosa. Certamente, não coloca em marcha una campanha contra a Lei, mas esta não ocupa mais um lugar central em seu coração.

Jesus procura a vontade de Deus a partir de outra experiência diferente. Sente Deus tratando de abrir caminho entre os homens para construir com eles um mundo mais justo e fraterno. Isto muda tudo. A lei já não é decisiva para saber o que espera Deus de nós. A coisa mais importante é «buscar o Reino de Deus e a sua justiça».

Os fariseus e os estudiosos preocupam-se em observar rigorosamente as leis, mas descuidam do AMOR e da JUSTIÇA. Jesus esforça-se por introduzir nos seus seguidores outro perfil e outro espírito: «se a vossa justiça não for melhor que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino de Deus». Há que superar o legalismo que se contenta com o cumprimento ao pé da letra das leis e normas.

Quando se procura a vontade do Pai com a paixão com que a procura Jesus, vai-se sempre mais longe do que dizem as leis. Para caminhar para esse mundo mais humano que Deus quer para todos, o importante não é contar com pessoas observantes de leis, mas com homens e mulheres que se pareçam com Deus.

Aquele que não mata, cumpre a Lei, mas se não arranca do seu coração a agressividade para com o seu irmão, não se parece com Deus.

Aquele que não comete adultério, cumpre a Lei, mas se deseja egoisticamente a esposa do seu irmão não se assemelha a Deus.

Nestas pessoas reina a Lei, mas não Deus; são observantes, mas não sabem amar; vivem corretamente, mas não construíram um mundo mais humano.

Temos de escutar bem as palavras de Jesus: «Não vim abolir a Lei e os Profetas, mas levá-los à perfeição». Jesus não veio atirar por terra o patrimônio legal e religioso do Antigo Testamento. Veio para «levá-los à perfeição», alargar o horizonte do comportamento humano, libertar a vida dos perigos do legalismo.

O nosso cristianismo será mais humano e evangélico quando aprendermos a viver as leis, normas, preceitos e tradições como os vivia Jesus: buscando esse mundo mais justo e fraterno que o Pai quer.

DESARMAR A PALAVRA

O conhecido escritor italiano, Alessandro Pronzato, publicou um livro intitulado Em busca das virtudes perdidas [não há edição em português]. Sua tese é clara, temos de fazer mais atenção às atitudes como:
* a paciência,
* o respeito,
* a discrição,
* a doçura,
* a honradez,
* o sentido de dever..., se queremos viver de maneira mais humana numa sociedade onde o individualismo, a busca de eficácia e o êxito fácil parecem invadir tudo.

Entre outras coisas, Pronzato denuncia em seu livro a «profanação da linguagem» em nossos dias. Não está na moda falar respeitosamente e com delicadeza. É mais frequente a linguagem decadente e de mal gosto. É fácil detectar três fatos lamentáveis:

A violência verbal
O falar atual reflete, com frequência, a agressividade que habita o coração das pessoas. De sua boca brota uma linguagem dura e implacável. Palavras ofensivas e ferinas, pronunciadas somente para humilhar e depreciar, para desqualificar e destruir. Por que está tão disseminada esta linguagem de insultos e injúrias? Às vezes, tudo provém da agressividade, da rejeição ou do desejo de vingança. Outras vezes, da antipatia ou da inveja. Às vezes, da superficialidade e da inconsciência.

O falar mal dos outros
Outra característica da linguagem atual é a injúria. As conversas estão repletas de palavras injustas que espalham condenações e parecem suspeitas. Palavras ditas sem amor e sem respeito, que envenenam a convivência e provocam dano. Palavras nascidas quase sempre da irritação, da mesquinhez ou da baixeza. Palavras que não estimulam nem constroem.

A vulgaridade
Outro sintoma penoso é a vulgaridade, a linguagem desavergonhada e até obscena. Há pessoas que não conseguem se expressar sem fazer referência de forma irreverente ao sagrado, ou utilizar termos grosseiros e indecentes. Não está na moda a linguagem amável ou as palavras educadas. Causa mais impacto o mal gosto e a transgressão.

Não perdeu atualidade a advertência de Jesus pedindo a seus seguidores para não insultar o irmão chamando-o de «imbecil"» ou «apóstata». Quando se tem um coração nobre e uma atitude digna, fala-se de uma maneira respeitosa e pacífica.

Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: Sopelako San Pedro Apostol Parrokia – Sopelana – Bizkaia (Espanha) – J. A. Pagola – Ciclo A (Homilías) – Internet: clique aqui.

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