«Daqui a alguns anos estarás mais arrependido pelas coisas que não fizeste do que pelas que fizeste. Solta as amarras! Afasta-se do porto seguro! Agarra o vento em suas velas! Explora! Sonha! Descubra!»

(Mark Twain [1835-1910] – escritor e humorista norte-americano)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; tenho Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, realizo meu Pós-doutorado na PUC de São Paulo. Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Educar filhos para as incertezas

É preciso ensinar desde pequeno a contar com
o imprevisível

Rosely Sayão
Psicóloga e consultora em educação

Viver como um equilibrista: talvez seja essa uma boa lição que podemos
ensinar aos filhos

"Como ensinar aos filhos que a vida é incerta?". Foi essa a pergunta de uma mãe que se deparou com uma intensa crise do filho. Ele, tendo planejado prestar vestibular, passar e cursar neste ano a faculdade que escolhera, ficou doente e não pôde comparecer ao exame.

Acontece que o jovem ficou inconformado por ter se dedicado durante o ano todo à sua meta: saiu pouco, estudou muito e sentia-se preparado para as provas. Por isso, entrou num desânimo total e está disposto a não fazer a mesma coisa neste ano. Considerei a questão interessante e por isso vamos conversar a esse respeito.

Se você pensar bem, caro leitor, vai perceber que temos agido de um modo que parece nos proteger de tudo o que é incerto, e temos passado isso aos mais novos. Usamos agenda, estabelecemos metas, planejamos o dia, a semana, o mês e assim por diante.

Em relação aos filhos, planejamos seu futuro acreditando piamente que o que fazemos hoje funcionará nas décadas próximas para eles. Achamos importante que tenham rotinas, hábitos, e que isso os ajudará a viver bem no futuro. É por isso que cobramos tanto deles que estudem e sejam bons alunos: para garantir um bom futuro para eles.

Acontece que a vida, principalmente no século 21, é uma grande aventura, inclusive em relação ao conhecimento. O que era considerado certo até outro dia, novos estudos mostram que não é mais. Isso significa que o conhecimento compreende sempre uma ilusão, mesmo que transitória. E como é o conhecimento que nos permite ler a realidade que nos circunda, nossa leitura também corre o risco de estar comprometida.

Viver como um equilibrista: talvez seja essa uma boa lição que podemos ensinar aos filhos. Para ser equilibrista, é preciso ter, ao mesmo tempo:
* coragem e
* precaução e, principalmente,
* contar com a imprevisibilidade.

É preciso também saber previamente que, mesmo tendo treinado muito, dedicado grande parte de seu tempo em busca do equilíbrio na corda bamba, um vento inesperado, um passo em falso ou um leve descontrole corporal pode levar à queda. Para não desistir, o equilibrista precisa de resiliência e de persistência.

Tudo isso precisamos ensinar aos filhos desde que eles são pequenos. Fazemos isso, em geral, nos primeiros anos de vida deles. Quando estão aprendendo a andar, por exemplo, incentivamos que continuem mesmo quando caem, não é? Estamos lá perto, encorajando, chamando, fazendo de tudo para que não desistam. Nesse momento, não podemos andar por eles!

Mas, aos poucos, à medida que crescem, temos a tendência de fazer por eles o que eles podem fazer sozinhos: em vez de encorajar e acolher nas frustrações que sofrem, buscamos estratégias para contorná-las; quando fracassam, mesmo tendo se dedicado, vamos em busca do bom resultado que deveria vir; quando enfrentam os imprevistos, fazemos de tudo para que eles não tenham efeitos na vida dos filhos.

Isso não é bom porque solidifica a ideia, para eles, de que na vida temos o controle de quase tudo e que não há lugar para os imprevistos, para as incertezas.

Pode ser uma boa ideia transmitir aos filhos que é possível que o improvável se realize mais do que o provável, e que precisamos saber esperar o inesperado, como diz Edgar Morin em seu livro "Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro" [Cortez Editora, 2011].

Fonte: Folha de S. Paulo – Colunistas – Terça-feira, 31 de janeiro de 2017 – 02h00 (Horário de Brasília – DF) – Internet: clique aqui.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.