«O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete.»

(Aristóteles [384 a.C. – 322 a.C.] – filósofo grego, discípulo de Platão)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

sábado, 13 de maio de 2017

5º Domingo da Páscoa – Ano A – Homilia

Evangelho: João 14,1-12

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
1 «Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também.
2 Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós,
3 e quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde eu estiver estejais também vós.
4 E para onde eu vou, vós conheceis o caminho.»
5 Tomé disse a Jesus: «Senhor, nós não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?».
6 Jesus respondeu: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim.
7 Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes.»
8 Disse Felipe: «Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!».
9 Jesus respondeu: «Ha tanto tempo estou convosco, e não me conheces, Felipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: “Mostra-nos o Pai”?
10 Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai, que, permanecendo em mim, realiza as suas obras.
11 Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acreditai, ao menos, por causa destas mesmas obras.
12 Em verdade, em verdade vos digo, quem acredita em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai.»

JOSÉ MARÍA CASTILLO
Teólogo espanhol

TEMOS MEDO DO EVANGELHO?

Com certeza, lemos este evangelho muitas vezes. E não nos damos conta que, na realidade, não cremos naquilo que Jesus nos diz aqui. Não acreditamos porque o Deus que temos em nossas mentes não é o Pai do qual Jesus nos fala aqui. O mesmo Jesus teria que perguntar-nos aquilo que ele perguntou a Felipe: «Não crês que eu estou no Pai e o Pai em mim?». Deus, o Pai, está em Jesus. Quer dizer, em Jesus o divino se uniu com o humano. Por isso, na conduta de Jesus vemos como é a conduta de Deus. E nas preferências de Jesus aprendemos que preferências têm Deus.

Provavelmente, preferimos que Deus estivesse no céu, lá longe. E nós aqui em nossa terra. Há muita gente que necessita de um Deus distante e grandioso para adorar. Essa gente teme um Deus próximo, humano, tangível e visível, ao qual se deve IMITAR. A adoração é mais fácil e menos exigente que a imitação. A adoração se faz em um instante e logo nos deixa com paz e boa consciência. A imitação é tarefa de sempre, no trabalho e no lazer, no templo e na rua, nas alegrias e nas dificuldades. A adoração se faz rápido. A imitação é uma carga pesada que não nos deixa e nos exige constante vigilância.

As religiões são, em geral, um projeto de relação com Deus. O cristianismo é um projeto de união com Deus. A «relação» consiste em observar determinadas «mediações» (ritos, cerimônias, costumes...). A «união» consiste em fazer, a todo o momento, o que faz Deus. Por exemplo, Deus envia todas as manhãs, o sol sobre bons e maus; e faz com que caia chuva sobre justos e injustos. Ou seja, Deus não faz diferenças. Crer no Deus de Jesus é ir pela vida sem nunca fazer diferenças:
* nem entre amigos e inimigos;
* nem entre os de direita e os de esquerda;
* nem entre ricos e pobres;
* nem entre conhecidos e desconhecidos.

Então, se é assim, como é difícil crer de verdade em nosso Deus! Somente a bondade e a força de Jesus podem tornar isso possível.

Devemos nos perguntar, com toda sinceridade e sem medo: Temos medo do Evangelho? Esta pergunta é capital. Porque, se nos esquecemos do Evangelho, se não o temos constantemente presente em nossos critérios, convicções e pautas de conduta, não será porque nos dá medo? Não acontece que temos pânico de aceitar que a retidão de nossa vida depende de nossa fidelidade ao Evangelho?

Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: José María Castillo. La Religión de Jesús: Comentario al Evangelio diario – Ciclo A (2016-2017). Bilbao: Desclée De Brouwer, 2016, págs. 225-226.

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