«A corrupção, como um câncer, está corroendo a vida cotidiana dos povos.»

(Papa Francisco – Mensagem enviada aos bispos da América Latina e Caribe em Assembleia de 9 a 12 de maio de 2017)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

sábado, 24 de junho de 2017

12º Domingo do Tempo Comum – Ano A – Homilia

Evangelho: Mateus 10,26-33

Naquele tempo, disse Jesus a seus apóstolos:
26 Não tenhais medo dos homens, pois nada há de encoberto que não seja revelado, e nada há de escondido que não seja conhecido.
27 O que vos digo na escuridão, dizei-o à luz do dia; o que escutais ao pé do ouvido, proclamai-o sobre os telhados!
28 Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma! Pelo contrário, temei aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno!
29 Não se vendem dois pardais por algumas moedas? No entanto, nenhum deles cai no chão sem o consentimento do vosso Pai.
30 Quanto a vós, até os cabelos da cabeça estão todos contados.
31 Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais.
32 Portanto, todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante do meu Pai que está nos céus.
33 Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante do meu Pai que está nos céus.

JOSÉ ANTONIO PAGOLA 

NOSSOS MEDOS

Quando nosso coração não está habitado por um amor forte ou uma fé firme, facilmente a nossa vida fica à mercê de nossos medos. Às vezes, é o medo de perder prestígio, segurança, comodidade ou bem-estar o que nos detém ao tomar decisões. Não nos atrevemos arriscar nossa posição social, nosso dinheiro ou nossa pequena felicidade.

Outras vezes, nos paralisa o medo de não sermos acolhidos. Aterroriza-nos a possibilidade de ficarmos sozinhos, sem a amizade ou o amor das pessoas. Ter de enfrentarmos a vida diária sem a companhia de ninguém.

Com frequência vivemos preocupados somente de ficarmos bem. Temos medo de sermos ridículos, confessar nossas verdadeiras convicções, dar testemunho de nossa fé. Tememos as críticas, os comentários e a rejeição dos outros. Não queremos ser classificados. Outras vezes, nos invade o temor do futuro. Não vemos claro o nosso porvir. Não temos segurança em nada. Talvez, não confiamos em ninguém. Enfrentar o amanhã nos dá medo.

Sempre foi tentador para aqueles que creem buscar na religião um refúgio seguro que nos liberte de nossos medos, incertezas e temores. Porém, seria um erro ver na fé o porto seguro dos medrosos, covardes e fracos.

A fé confiante em Deus, quando é bem entendida, não conduz o que crê a esquivar-se de suas próprias responsabilidades diante dos problemas. Não o leva a fugir dos conflitos para fechar-se comodamente no isolamento. Pelo contrário, é a fé em Deus que preenche seu coração de força para viver com mais generosidade e de modo mais arriscado. É a confiança viva no Pai que lhe ajuda a superar covardias e medos para defender com mais audácia e liberdade o Reino de Deus e sua justiça.

A fé não cria homens covardes, mas pessoas determinadas e audazes. Não fecha aqueles que creem em si mesmos, mas abre-os mais à vida problemática e conflitiva de cada dia. Não os envolve na preguiça e comodidade, mas anima-os para o compromisso.

Quando quem crê escuta de verdade, em seu coração, as palavras de Jesus: «Não tenhais medo», não se sente convidado a esquivar-se de seus compromissos, mas animado pela força de Deus a enfrentá-los.

LIBERTAR DO MEDO

As fontes cristãs apresentam Jesus inteiramente dedicado a libertar as pessoas do medo. Dava-lhe pena ver as pessoas aterrorizadas pelo poder do Império Romano, intimidadas pelas ameaças dos mestres da Lei, distanciadas de Deus pelo medo de sua ira, culpadas pela sua pouca fidelidade à Lei. De seu coração, repleto de Deus, somente podia brotar um desejo: «Não tenhais medo». São palavras de Jesus que se repetem sempre nos evangelhos. As que mais deveriam ser repetidas em sua Igreja.

O medo se apodera de nós quando em nosso coração cresce a desconfiança, a insegurança ou a falta de liberdade interior. Este medo é o problema central do ser humano e somente podemos nos libertar dele, enraizando nossa vida em um Deus que só busca o nosso bem.

Assim entendia Jesus. Por isso, dedicou-se, acima de tudo, a despertar a confiança no coração das pessoas. Sua fé profunda e simples era contagiosa: «Se Deus cuida com tanta ternura das codornizes dos campos, os menores pássaros da Galileia, como não irá cuidar de vós? Para Deus sois mais importantes e queridos que todos os pássaros do céu». Um cristão da primeira geração recolheu bem sua mensagem: «Descarregai em Deus todos os vossos fardos, que a Ele interessa o vosso bem».

Com que força falava Jesus a cada enfermo: «Tem fé. Deus não se esqueceu de ti». Com que alegria despedia-os quando podia vê-los curados: «Vai em paz. Vive bem». Era seu grande desejo que as pessoas vivessem com paz, sem medos nem angústias: «Não vos julgai, não vos condenai mutuamente, não vos fazei dano. Vivei de maneira amistosa».

São muitos os medos que fazem as pessoas sofrerem em segredo. O medo faz mal, muito mal. Onde cresce o medo, perde-se de vista Deus e se abafa a bondade que há no coração das pessoas. A vida se apaga, a alegria desaparece.

Uma comunidade de seguidores de Jesus deve ser, antes de tudo, um lugar onde a pessoa se liberta de seus medos e aprende a viver confiando em Deus. Uma comunidade onde se respira uma paz contagiosa e se vive uma estreita amizade que torna possível escutar hoje o chamado de Jesus: «Não tenhais medo».

Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: Sopelako San Pedro Apostol Parrokia – Sopelana – Bizkaia (Espanha) – J. A. Pagola – Ciclo A (Homilías) – Internet: clique aqui.

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