«No regime neoliberal da autoexploração a agressão é dirigida contra si mesmo. Esta autoagressividade não converte o explorado em revolucionário, mas em depressivo.»

(Buyng-Chul Han [Seul, 1959] – filósofo e ensaísta sul-coreano, professor da Universidade das Artes de Berlim, Alemanha)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

sábado, 3 de junho de 2017

Solenidade de Pentecostes – Ano A – Homilia

Evangelho: João 20,19-23

19 Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e pondo-se no meio deles,
disse: «A paz esteja convosco».
20 Depois destas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor.
21 Novamente, Jesus disse: «A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio».
22 E depois de ter dito isto, soprou sobre eles e disse: «Recebei o Espírito Santo.
23 A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos».

Anthony Cilia, O.Carm.
Editor

O ESPÍRITO SANTO: JESUS PRESENTE

Jesus se faz presente na comunidade. Nem mesmo as portas fechadas lhe impedem de estar no meio daqueles que não o reconhecem.  Até hoje é assim! Quando estamos reunidos, mesmo que todas as portas estejam fechadas, Jesus está em nosso meio! Também hoje, a primeira palavra de Jesus será sempre : «A paz esteja convosco!».

Ele mostra os sinais da paixão nas mãos e do lado. O ressuscitado é o crucificado! O Jesus que está conosco na comunidade não é um Jesus glorioso que não tem nada em comum com a vida das pessoas. Mas é o mesmo Jesus que veio sobre esta terra e que tem os sinais da paixão. E hoje estes mesmos sinais se encontram nos sofrimentos das pessoas. São os sinais da fome, da tortura, das guerras, das doenças, da violência, da injustiça.

Tantos sinais!

E nas pessoas que reagem e lutam pela vida, Jesus ressuscita e se torna presente em meio a nós.

Deste Jesus, crucificado e ressuscitado, recebemos a missão, a mesma que ele recebeu do Pai. E também a nós ele repete: «A paz esteja convosco!». A repetição destaca a importância da paz. Construir a paz faz parte da missão. A paz que Jesus nos deixa significa muito mais que a ausência de guerra. Significa construir um ambiente humano harmonioso, no qual as pessoas possam ser elas mesmas, com tudo que é necessário para viver, e onde possam viver serenas e em paz. Em uma palavra, significa construir uma comunidade segundo a comunidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Jesus soprou sobre os apóstolos e disse: «Recebei o Espírito Santo». É, portanto, com o auxílio do Espírito Santo que nós podemos desenvolver a missão que ele nos confia. No Evangelho de João, a ressurreição (Páscoa) e a efusão do Espírito (Pentecostes) são uma só coisa. Tudo acontece ao mesmo tempo.

O ponto central da missão de paz encontra-se na reconciliação, na tentativa de superar as barreiras que nos separam: «A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos». Esse poder de reconciliar e de perdoar é dado aos discípulos. No Evangelho de Mateus, este mesmo poder é concedido também a Pedro (Mt 16,19) e à comunidade (Mt 18,18). Uma comunidade sem perdão e sem reconciliação não é uma comunidade cristã.

No Evangelho de João, o primeiro encontro entre Jesus ressuscitado e os seus discípulos é marcado pela saudação: «A paz esteja convosco!». A paz que Jesus nos dá é diversa da Pax Romana, construída pelo Império Romano (Jo 14,27). Paz, na Bíblia, é representada pela palavra shalom, que é uma palavra rica de profundo significado. Significa a integridade da pessoa diante de Deus e dos outros. Significa também vida plena, feliz, abundante (Jo 10,10). A paz é sinal da presença de Deus, porque o nosso Deus é um Deus de paz, «Javé é Paz» (Jr 6,24). «O Deus da paz esteja com todos vós!» (Rm 15,33).

Por isso, a proposta de paz de Deus produz reações violentas. Como diz o salmo: «Morei demais com gente que detesta a paz. Eu sou pela paz, mas quando falo em paz, eles só querem guerra» (Sl 120,6-7). A paz que Jesus nos dá é sinal de «espada» (Mt 10,34). Supõe perseguições pela comunidade. E o próprio Jesus nos anuncia tribulações (Jo 16,33). É necessário ter confiança, lutar, trabalhar, perseverar no Espírito a fim que um dia a paz de Deus triunfe.

Naquele dia «amor e verdade se encontrarão, justiça e paz se abraçarão» (Sl 85,11). Pois, «Pois o Reino de Deus não é comida e bebida, mas é justiça, paz e alegria no Espírito Santo» (Rm 14,17) e «Deus seja tudo em todos» (1Cor 15,28).

Traduzido do italiano por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: Lectio Divina sui Vangeli Festivi per l’Anno Liturgico A. Leumann (TO): Editrice Elledici, 2010, páginas 301-304.

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