«No regime neoliberal da autoexploração a agressão é dirigida contra si mesmo. Esta autoagressividade não converte o explorado em revolucionário, mas em depressivo.»

(Buyng-Chul Han [Seul, 1959] – filósofo e ensaísta sul-coreano, professor da Universidade das Artes de Berlim, Alemanha)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

sábado, 22 de julho de 2017

16º Domingo do Tempo Comum – Ano A – Homilia

Evangelho: Mateus 13,24-43


Naquele tempo:
24 Jesus contou outra parábola à multidão: «O Reino dos Céus é como um homem que semeou boa semente no seu campo.
25 Enquanto todos dormiam, veio seu inimigo, semeou joio no meio do trigo, e foi embora.
26 Quando o trigo cresceu e as espigas começaram a se formar, apareceu também o joio.
27 Os empregados foram procurar o dono e lhe disseram: “Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde veio então o joio?”
28 O dono respondeu: “Foi algum inimigo que fez isso”. Os empregados lhe perguntaram: “Queres que vamos arrancar o joio?”.
29 O dono respondeu: “Não! pode acontecer que, arrancando o joio, arranqueis também o trigo.
30 Deixai crescer um e outro até a colheita! E, no tempo da colheita, direi aos que cortam o trigo:
arrancai primeiro o joio e o amarrai em feixes para ser queimado! Recolhei, porém, o trigo no meu celeiro!”».
31 Jesus contou-lhes outra parábola: «O Reino dos Céus é como uma semente de mostarda que um homem pega e semeia no seu campo.
32 Embora ela seja a menor de todas as sementes, quando cresce, fica maior do que as outras plantas. E torna-se uma árvore, de modo que os pássaros vêm e fazem ninhos em seus ramos.»
33 Jesus contou-lhes ainda uma outra parábola: «O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado.»
34 Tudo isso Jesus falava em parábolas às multidões. Nada lhes falava sem usar parábolas,
35 para se cumprir o que foi dito pelo profeta: “Abrirei a boca para falar em parábolas; vou proclamar coisas escondidas desde a criação do mundo”.
36 Então Jesus deixou as multidões e foi para casa. Seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: «Explica-nos a parábola do joio!».
37 Jesus respondeu: «Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem.
38 O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno.
39 O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos. Os ceifadores são os anjos.
40 Como o joio é recolhido e queimado ao fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos:
41 o Filho do Homem enviará os seus anjos e eles retirarão do seu Reino todos os que fazem outros pecar e os que praticam o mal;
42 e depois os lançarão na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes.
43 Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça.»

JOSÉ MARÍA CASTILLO & ENZO BIANCHI
TRIGO & JOIO

O JUÍZO PERTENCE A DEUS

O ensinamento da primeira parábola narrada por Jesus (Mt 13,24-30) está claro: a juízo dele, ninguém nesta vida tem o direito de erigir-se em juiz do bem e do mal. Ninguém tem, portanto, o direito de decidir onde está o bem (o trigo) e onde está o mal (o joio). E menos ainda, ninguém tem o direito de considerar-se com poder para pretender extirpar o mal pela raiz (arrancar o joio). Porque pode acontecer que, pensando que se arranca o joio, na realidade o que se está arrancando é o trigo.

Assim, ninguém pode constituir-se em juiz dos outros. Ninguém tem o direito de fazer isso. Ninguém pode condenar ninguém, rejeitar a ninguém, reprovar a quem quer que seja. Porque corre o perigo de equivocar-se. De modo que, pensando que faz algo bom, na realidade, o que leva a cabo é um desastre. Jesus condena desse modo o puritanismo e a intolerância. Todos corremos o perigo de incorrer nesse tipo de conduta. A, ainda mais, sabemos até que ponto as pessoas andam por aí condenando, rejeitando, ofendendo, insultando...

Porém, esse perigo aumenta ainda mais, na medida em que uma pessoa se torna religiosa, sobretudo, se sua religião é de caráter fundamentalista. Então, a intolerância supera todos os limites e chega a criar ambientes nos quais não se pode respirar. Este mundo está cheio de fanáticos, que se consideram com o direito e o dever de obrigar que os outros mudem e passem a viver e pensar como vive e pensa o fanático intolerante.

As pessoas «muito religiosas» dão medo! Tornam a vida insuportável e a convivência amarga.

No fundo, o problema está em que, no final das contas, o bem e o mal são categorias que dependem dos que têm poder para defini-las. O filósofo alemão Friedrich Nietzsche [1844-1900] disse muito bem: «foram os bons mesmos, isto é, os nobres, os poderosos, os homens de posição superior... que se sentiram e se valorizaram a si mesmos e ao seu agir como bons, ou seja, como algo de primeira importância, em contraposição a tudo que é de baixo, abjeto, vulgar e plebeu» (Genealogia da moral I,2).

Assim, como é que limparemos o campo do Senhor do pressuposto joio?

Afinal de contas, a essência do fanatismo consiste no desejo (e até no empenho) de «obrigar os outros a mudar» (Amos Oz – escritor israelense). Neste ponto, coincidem todos os fanáticos do mundo, que frequentemente degeneram para a violência e o terror!
FERMENTO SENDO COLOCADO EM MEIO À FARINHA

A PEQUENEZ DE HOJE GARANTE A GRANDEZA DO FUTURO

O Reino é semelhante a um grão de mostarda semeado no campo. Trata-se de uma semente pequeníssima, porém «quando cresce é maior que as hortaliças e se torna como que uma árvore, ao ponto das aves do céu poder aninhar em seus ramos» (cf. Ez 17,22-24). Aqui a atenção se volta para o enorme desenvolvimento da semente, na distância entre sua pequenez inicial e sua grandeza final.

O mesmo acontece com o Reino de Deus: em nosso hoje parece como uma realidade pequena, porém, no final dos tempos, se manifestará sua grandeza. Os discípulos de Jesus Cristo devem observar o contraste entre o hoje e o futuro, porém também deve entender que o futuro depende precisamente da pequenez de hoje. Pois seu Mestre lhe revelou que os critérios da grandeza e da aparência não se devem aplicar ao Reino dos Céus.

A força do Reino não se deve confundir com a fascinação da grandeza, que se traduz, muitas vezes, no número, outras no prestígio, no poder etc.

Para corroborar esta realidade, Jesus se serve de outra comparação. Uma mulher põe um pouco de fermento em uma grande quantidade de farinha (cerca de 40 quilos). O texto destaca que a mulher «esconde» o fermento, indicando assim que a presença do Reino é oculta, não se impõe. Mesmo assim, a inequívoca força do fermento faz crescer a massa.

A atenção se concentra aqui no poder do fermento: algo tão pequeno é capaz de provocar uma grande transformação. E assim é: a vida de Jesus era pouca coisa, praticamente desconhecida para os historiadores de seu tempo; porém nele, o homem no qual Deus reinou plenamente, se ocultava a potência do Reino, oferecido a toda humanidade.

Somos chamados, pois, por essas três parábolas à paciência, à pequenez , ao ocultamento. Acolhemos o Reino anunciado por Jesus, vivendo com liberdade e inteligência esta realidade, isto é, obedecendo a ele, grão de trigo caído na terra e morto para dar muito fruto (cf. Jo 12,24). Esta dinâmica de morte e ressurreição é a primícia do Reino se soubermos assumi-la em nossa vida e testemunhá-la em meio aos homens e mulheres.

Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fontes: CASTILLO, José María. La religión de Jesús: comentario al Evangelio diario – ciclo A (2016-2017). Bilbao: Desclée De Brouwer, 2016, págs. 316-317; BIANCHI, Enzo. Jesús, «Dios con nosotros» que cumple la Escritura – Ciclo A. Salamanca: Ediciones Sígueme, 2010, págs. 136-137.

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