«Penso noventa e nove vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio – e eis que a verdade se me revela.»

(Albert Einstein [1879-1955] – físico teórico alemão, um dos mais ilustres cientistas do mundo)

Quem sou eu

Jales, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; tenho Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, realizo meu Pós-doutorado na PUC de São Paulo. Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

domingo, 8 de outubro de 2017

27º Domingo do Tempo Comum – Ano A – Homilia

Evangelho: Mateus 21,33-43


Naquele tempo, Jesus disse aos sumos sacerdotes
e aos anciãos do povo:
33 Escutai esta outra parábola: «Certo proprietário plantou uma vinha, pôs uma cerca em volta, fez nela um lagar para esmagar as uvas e construiu uma torre de guarda. Depois arrendou-a a vinhateiros, e viajou para o estrangeiro.
34 Quando chegou o tempo da colheita, o proprietário mandou seus empregados aos vinhateiros
para receber seus frutos.
35 Os vinhateiros, porém, agarraram os empregados, espancaram a um, mataram a outro, e ao terceiro apedrejaram.
36 O proprietário mandou de novo outros empregados, em maior número do que os primeiros. Mas eles os trataram da mesma forma.
37 Finalmente, o proprietário, enviou-lhes o seu filho, pensando: “Ao meu filho eles vão respeitar”.
38 Os vinhateiros, porém, ao verem o filho, disseram entre si: “Este é o herdeiro. Vinde, vamos matá-lo e tomar posse da sua herança!”.
39 Então agarraram o filho, jogaram-no para fora da vinha e o mataram.
40 Pois bem, quando o dono da vinha voltar, o que fará com esses vinhateiros?»
41 Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: «Com certeza mandará matar de modo violento esses perversos e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entregarão os frutos no tempo certo.»
42 Então Jesus lhes disse: «Vós nunca lestes nas Escrituras: “a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; isto foi feito pelo Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos”?
43 Por isso eu vos digo: o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos.»

JOSÉ ANTONIO PAGOLA
Biblista espanhol católico

ESTAMOS DECEPCIONANDO A DEUS?

Jesus encontra-se no recinto do Templo de Jerusalém, rodeado por um grupo de altos dirigentes religiosos. Nunca os teve tão próximos de si. Por isso, com incrível audácia, pronunciará uma parábola dirigida diretamente a eles. Sem dúvida, a mais dura que saiu de seu lábios.

Quando Jesus começa a falar-lhes de um senhor que plantou uma vinha e cuidou dela com solicitude e carinho especial, cria-se um clima de expectativa. A «vinha» é o povo de Israel. Todos conhecem o canto do profeta Isaías que fala do amor de Deus por seu povo com essa bela imagem. Eles são os responsáveis dessa «vinha» tão querida por Deus.

O que ninguém esperava é a grave acusação que lhes lançará Jesus: Deus está decepcionado. Os séculos foram se passando e Ele não logrou recolher desse povo amado os frutos de JUSTIÇA, de SOLIDARIEDADE e de PAZ que esperava.

Vez ou outra enviou seus servidores, os profetas, porém os responsáveis da vinha os maltrataram sem piedade até dar-lhes a morte. O que mais Deus pode fazer pela sua vinha? Segundo o relato, o senhor da vinha manda-lhes seu próprio filho pensando: «A meu filho respeitarão». Porém, os vinhateiros o mataram para ficarem com sua herança.

A parábola é transparente. Os dirigentes do Templo se veem obrigados a reconhecer que o Senhor há de confiar sua vinha a outros vinhateiros mais fiéis. Jesus lhes aplica rapidamente a parábola: «o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos».

Esmagados por uma crise para a qual não é possível responder com pequenas reformas, distraídos por discussões que nos impedem de ver o essencial, sem coragem para escutar o apelo de Deus por uma CONVERSÃO RADICAL ao Evangelho, a parábola nos obriga a fazer-nos sérias perguntas:

* Somos esse povo novo que Jesus deseja, dedicado a produzir os frutos do Reino ou estamos decepcionando a Deus?
* Vivemos trabalhando por um mundo mais humano?
* Como estamos respondendo, a partir do projeto de Deus, às vítimas da crise econômica e aos que morrem de fome e desnutrição em tantos lugares do mundo, como a África?
* Respeitamos o Filho que Deus nos enviou ou o jogamos, de muitas maneiras, para «fora da vinha»?
* Estamos acolhendo a missão que Jesus nos confiou de humanizar a vida ou vivemos distraídos por outros interesses religiosos mais secundários?
* Que fazemos com os homens e mulheres que Deus nos envia, também hoje, para recordar-nos seu amor e sua justiça?
* Não há mais entre nós profetas de Deus nem testemunhas de Jesus?
* Não os reconhecemos mais?

Às vezes, pensamos que esta parábola tão ameaçadora vale para antes de Cristo, para o povo do Antigo Testamento, porém não para nós que somos o povo da Nova Aliança e temos, ainda, a garantia de que Cristo estará sempre com nós.

Pensar assim é um erro. A parábola está falando também de nós. Deus não tem porque abençoar um cristianismo estéril do qual não recebe os frutos que espera. Não tem porque identificar-se com nossas incoerências, desvios e pouca fidelidade. Também agora, Deus deseja que os trabalhadores indignos de sua vinha sejam substituídos por um povo que produza frutos dignos do Reino de Deus.

Cabe aqui uma reflexão de Luis Espinal, sacerdote jesuíta, assassinado em 1980 na Bolívia. Ele diz assim:

«Passam os anos e, ao olhar para trás, vemos que nossa vida foi estéril.
Não passamos por ela fazendo o bem.
Não melhoramos o mundo que nos deixaram.
Não vamos deixar rastros.
Fomos prudentes e cuidamos de nós.
Porém, para quê?
Nosso único ideal não pode ser atingir a velhice.
Estamos sufocando a vida por egoísmo, por covardia.
Seria terrível desperdiçar esse tesouro de amor que Deus nos deu».

Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte:  Sopelako San Pedro Apostol Parrokia – Sopelana – Bizkaia (Espanha) – J. A. Pagola – Ciclo A – Internet: clique aqui.

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