«Somente a turba e a elite podem ser atraídas pelo ímpeto do totalitarismo. As massas precisam ser ganhas por propaganda.»

(Hannah Arendt [1906-1975] – filósofa alemã de origem judaica, uma das mais influentes do séc. XX)

Quem sou eu

Jales, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; tenho Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, realizo meu Pós-doutorado na PUC de São Paulo. Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

sábado, 28 de outubro de 2017

30º Domingo do Tempo Comum – Ano A – Homilia

Evangelho: Mateus 22,34-40

Naquele tempo:
34 Os fariseus ouviram dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus. Então eles se reuniram em grupo,
35 e um deles perguntou a Jesus, para experimentá-lo:
36 «Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?».
37 Jesus respondeu: «“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento!”
38 Esse é o maior e o primeiro mandamento.
39 O segundo é semelhante a esse: “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”.
40 Toda a Lei e os profetas dependem desses dois mandamentos.»

JOSÉ ANTONIO PAGOLA*

FICAR COM O ESSENCIAL

Não era fácil para os contemporâneos de Jesus ter uma visão clara do que constituía o núcleo de sua religião. As pessoas simples se sentiam perdidas. Os escribas falavam de seiscentos e treze mandamentos na Lei. Como orientar-se em uma rede tão complicada de preceitos e proibições? Em algum momento, a questão chegou até Jesus: O que é mais importante e decisivo? Qual é o mandamento principal que pode dar sentido aos demais?

Jesus não pensou duas vezes e respondeu recordando umas palavras que todos os judeus do sexo masculino repetiam diariamente no princípio e no final do dia: «Escuta Israel: O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus com todo teu coração, com toda tua alma, com todo o teu ser» (Dt 6,4). O próprio Jesus havia pronunciado, naquela manhã, estas palavras. Elas lhe ajudavam a viver centrado em Deus. Este era o primeiro mandamento para ele.

Em seguida acrescentou algo que ninguém lhe havia perguntado: «O segundo mandamento é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo». Nada é mais importante do que estes dois mandamentos. Para Jesus são inseparáveis. Não se pode amar a Deus e desinteressar-se do vizinho.

Muitas perguntas surgem para nós:
* O que é amar a Deus?
* Como se pode amar a alguém que não se pode compreender nem ver?

Ao falar do amor a Deus, os judeus não pensavam nos sentimentos que podem nascer em nosso coração. A fé em Deus não consiste em um «estado de ânimo». Amar a Deus é simplesmente centrar a vida nele, viver tudo a partir de sua vontade.

Por isso, Jesus acrescenta o segundo mandamento. Não é possível amar a Deus e viver esquecido de pessoas que sofrem e a quem Deus tanto ama. Não há um «espaço sagrado» no qual possamos «entender-nos» a sós com Deus, de costas aos demais. Um amor a Deus que se esquece de seus filhos e filhas é uma grande mentira.

A religião cristã resulta hoje, para muitos, não pouco complicada e difícil de entender. Provavelmente, necessitamos na Igreja de um processo de concentração no essencial para nos desprendermos de acréscimos secundários e ficarmos com o mais importante: amar a Deus com todas minhas forças e amar os demais como amo a mim mesmo.

SENTIR-SE BEM?

Não é difícil observar entre nós os traços mais característicos do individualismo moderno. Para muitos, o ideal da vida é «sentir-se bem». Todo o resto vem depois. A primeira coisa é melhorar a qualidade de vida, evitar o que nos possa incomodar, e assegurar, não importa como, nosso pequeno bem-estar material, psicológico e afetivo.

Para conseguir isso, cada um deve organizar a vida ao seu gosto. Não se deve pensar nos problemas dos outros. Cada um deve se ocupar de sua vida. Não é bom meter-se na vida dos outros. Cada um já tem muita ocupação em levar adiante a própria vida.

Este individualismo moderno está mudando a vida dos crentes do Ocidente. Pouco a pouco, vai se difundindo uma «moral sem mandamentos». Tudo é bom se não me prejudica. O importante é ser inteligente e atuar com habilidade. Naturalmente, deve-se respeitar os outros e não prejudicar ninguém. Isso é tudo.

Está mudando, também, a maneira de viver a fé. Cada um sabe «o que é melhor para si». O importante é que a religião ajude-nos a sentir-nos bem. Pode-se ser um «cristão simpático» e sem problemas. O que é necessário é «gerir» o religioso de maneira inteligente.

O resultado é uma classe média instalada no bem-estar, composta por indivíduos respeitáveis que se comportam corretamente em todos os níveis da vida, porém que vivem fechados em si mesmos, separados de sua própria alma e afastados de Deus e de seus semelhantes.

Há uma maneira muito simples de saber o que sobra de «cristão» neste individualismo moderno e é ver se ainda nos preocupamos com os que sofrem. Jesus precisou com toda clareza o essencial: «amarás o Senhor teu Deus com todo teu coração» e «amarás o próximo como a ti mesmo».

Ser cristão não é sentir-se bem nem mal,
mas sentir os que vivem mal,
pensar nos que sofrem e
reagir diante de sua impotência sem nos refugiarmos em nosso próprio bem-estar.

Não devemos assumir que somos cristãos, pois pode não ser verdade. Não basta perguntar-nos se cremos em Deus ou o amamos. Temos de perguntar-nos se amamos como irmãos a quem sofre.

Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

* JOSÉ ANTONIO PAGOLA é sacerdote espanhol. Mestre em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma (1962), Mestre em Sagrada Escritura pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (1965), Diplomado em Ciências Bíblicas pela École Biblique de Jerusalém (1966). Professor no Seminário de San Sebastián e na Faculade de Teologia do norte da Espanha (sede de Vitoria). Desempenhou o encargo de reitor do Seminário diocesano de San Sebastián e, sobretudo, o de Vigário Geral da diocese San Sebastián (Espanha). É autor de vários ensaios e artigos, especialmente o famoso livro: Jesus. Aproximação Histórica (publicado no Brasil por Editora Vozes, 2010). No Brasil, Pagola tem os seguintes livros já publicados: O Caminho Aberto por Jesus. Mateus (Editora Vozes, 2009); O Caminho Aberto por Jesus. Lucas (Ed. Vozes, 2012); O Caminho Aberto por Jesus. Marcos (Editora Vozes, 2013); O Caminho Aberto por Jesus. João (Ed. Vozes, 2013); Salmos Para Rezar ao Longo da Vida (Ed. Vozes, 2013); Jesus e o Dinheiro. Uma Leitura Profética da Crise (Ed. Vozes, 2014); Grupos de Jesus (Ed. Vozes, 2016); Voltar a Jesus. Para a Renovação das Paróquias e Comunidades (Ed. Vozes, 2016); É bom crer em Jesus (Ed. Vozes, 2016).

Fonte: Sopelako San Pedro Apostol Parrokia – Sopelana – Bizkaia (Espanha) – J. A. Pagola – Ciclo A (Homilías) – Internet: clique aqui.

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