«Quem em uma situação como esta, de injustiça social e repressão criminal, escolher o caminho da passividade e erguer a bandeira hipócrita da imparcialidade política torna-se cúmplice do mal.»

(Silvio José Báez – bispo-auxiliar de Manágua, Nicarágua, clamando contra a violência e repressão do governo de Daniel Ortega)

Quem sou eu

Jales, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; tenho Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, realizo meu Pós-doutorado na PUC de São Paulo. Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

sábado, 13 de janeiro de 2018

2º Domingo do Tempo Comum – Ano B – Homilia

Evangelho: João 1,35-42

Naquele tempo,
35 João estava de novo com dois de seus discípulos
36 e, vendo Jesus passar, disse: «Eis o Cordeiro de Deus!»
37 Ouvindo essas palavras, os dois discípulos seguiram Jesus.
38 Voltando-se para eles e vendo que o estavam seguindo, Jesus perguntou: «O que estais procurando?» Eles disseram: «Rabi (que quer dizer: Mestre), onde moras?»
39 Jesus respondeu: «Vinde ver». Foram, pois, ver onde ele morava e, nesse dia, permaneceram com ele. Era por volta das quatro da tarde.
40 André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que ouviram as palavras de João e seguiram Jesus.
41 Ele foi encontrar primeiro seu irmão Simão e lhe disse: «Encontramos o Messias» (que quer dizer: Cristo).
42 Então André conduziu Simão a Jesus. Jesus olhou bem para ele e disse: «Tu és Simão, filho de João; tu serás chamado Cefas» (que quer dizer: Pedra).

JOSÉ ANTONIO PAGOLA

CRER EM JESUS

Dois discípulos, orientados pelo Batista, se põem a seguir Jesus. Durante certo tempo caminham atrás dele em silêncio. Não houve ainda um verdadeiro contato. Até que, Jesus se volta e lhes faz uma pergunta decisiva: «O que procurais?», o que esperais de mim?

Eles lhe respondem com outra pergunta: «Rabi, onde moras?», qual é o segredo de tua vida? A partir de onde tu vives? O que é para ti, viver? Jesus responde-lhes: «Vinde ver». Fazei vós mesmos a EXPERIÊNCIA. Não buscai outra informação. Vinde conviver comigo. Descobrireis quem eu sou e como posso transformar vossa vida.

Este pequeno diálogo pode projetar mais luz sobre o essencial da fé cristã que muitas palavras complicadas. Afinal, o que é decisivo para ser cristão?

Em primeiro lugar, buscar. Quando um não busca nada na vida e se conforma em «ir levando» ou ser «um sobrevivente», não é possível encontrar-se com Jesus. A melhor maneira de não entender nada sobre a fé cristã é não ter interesse por viver de maneira correta.

O importante não é buscar algo, mas buscar ALGUÉM. Não descartemos nada. Se um dia sentimos que a pessoa de Jesus nos «toca», é o momento de deixarmos nos alcançar por ele, sem defesas nem reservas. Há que se esquecer convicções e dúvidas, doutrinas e esquemas. Não se pede que sejamos mais religiosos nem mais piedosos. Somente que o conheçamos melhor.

Não se trata de conhecer coisas sobre Jesus, mas de SINTONIZARMO-NOS com ele, interiorizar suas atitudes fundamentais, experimentar que sua pessoa nos faz bem, reaviva nosso espírito e nos infunde força e esperança para viver. Quando isto se produz, a pessoa começa a se dar conta do pouco que acreditava nele, quão mal havia entendido quase tudo.

Porém, o decisivo para SER CRISTÃO é tratar de VIVER COMO ELE VIVIA, ainda que seja de maneira muito pobre e simples:
* Crer no que ele creu,
* dar importância ao que ele dava importância,
* interessar-se por aquilo que ele se interessou.
* Olhar a vida como ele a olhava,
* tratar as pessoas como ele as tratava: escutar, acolher e acompanhar como ele o fazia.
* Confiar em Deus como ele confiava,
* orar como ele orava,
* disseminar esperança como ele disseminava.

O que se sente quando alguém procura viver assim?
Não seria isto aprender a viver?

O QUE BUSCAMOS?

As primeiras palavras que Jesus pronuncia no Evangelho de João nos deixam desconcertados, porque vão ao fundo e tocam as raízes mesmas de nossa vida. A dois discípulos do Batista que começam a segui-lo, Jesus lhes diz: «O que buscais?».

Não é fácil responder a esta pergunta simples, direta, fundamental, a partir do interior de uma cultura «fechada», como a nossa, que parece preocupar-se somente dos meios, esquecendo sempre o fim último de tudo. O que buscamos exatamente?

Para alguns, a vida é «um grande supermercado» (Dorothee Sölle – 1929-2003: teóloga alemã) e a única coisa que lhes interessa é adquirir objetos com os quais podem consolar um pouco sua existência. Outros buscam escapar da enfermidade, da solidão, da tristeza, dos conflitos ou do medo. Porém, escapar para onde, para quem?

Outros já não aguentam mais. O que desejam é que lhes deixem sozinhos. Esquecer os outros e ser esquecidos por todos. Não preocupar-se por ninguém e que ninguém se preocupe com eles.

A maioria busca, simplesmente, atender suas necessidades diárias e seguir lutando para ver realizados seus pequenos desejos. Porém, ainda que todos eles se cumprissem, ficaria nosso coração satisfeito? Apaziguaria a nossa sede de consolação, libertação, felicidade plena?

No fundo, nós, seres humanos, não estamos buscando algo mais que uma simples melhoria de nossa situação? Não ansiamos por algo que, certamente, não podemos esperar de nenhum projeto político ou social?

Diz-se que os homens e mulheres de hoje esqueceram Deus. Porém, a verdade é que, quando um ser humano se interroga com um pouco de honradez, não lhe é fácil apagar de seu coração «as saudades de Deus».

Quem sou eu? Um ser minúsculo, surgido por acaso em uma parcela ínfima do espaço e do tempo, jogado à vida para desaparecer em seguida no nada, de onde fui retirado sem razão alguma somente para sofrer? Isso é tudo? Não há mais nada?

O mais honrado que pode fazer o ser humano é «buscar». Não fechar nenhuma porta. Não descartar nenhum chamado. Buscar Deus, talvez com o último de suas forças e de sua fé. Talvez, a partir da mediocridade, da angústia ou do desalento.

Deus não brinca de esconde-esconde nem se oculta de quem o busca com sinceridade. Deus já está no interior mesmo dessa busca. Mais ainda. Deus deseja ser encontrado, incluído, por aqueles que mal o buscam. Assim diz o Senhor no livro de Isaías: «Atendi a quem não me pedia, fui encontrado por quem não me procurava; a uma nação que não invocava meu nome. Respondi: “Aqui estou eu! Aqui estou eu!”» (65,1).

Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: Sopelako San Pedro Apostol Parrokia – Sopelana – Bizkaia (Espanha) – J. A. Pagola – Ciclo B (Homilías) – Internet: clique aqui.

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