«Em terra de Maria-vai-com-as-outras cada um sabe, ou deveria saber, onde sua inteligência o acompanha ou o abandona.»

(Henrique Musashi [44 anos] – poeta e artista cearense)

Quem sou eu

Jales, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; tenho Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, realizo meu Pós-doutorado na PUC de São Paulo. Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Católicos, é hora de agir!

América Latina. Catolicismo em queda livre?

Religión Digital
13-01-2018

Sacudida por numerosos escândalos de pedofilia,
a Igreja católica latino-americana sofre uma queda acentuada,
que nem mesmo Francisco – o primeiro Papa da Pátria Grande – é
capaz de interromper
Romaria de Nossa Senhora Aparecida
Passo Fundo (RS) - 12 de outubro de 2014

Os fiéis que abandonam o catolicismo em debandada vão às igrejas evangélicas ou se lançam nos braços do agnosticismo e do ateísmo.

Até mesmo a imagem do Papa Francisco se deteriorou na América Latina, onde o catolicismo perdeu fiéis diante do auge da religião evangélica e de um acelerado processo de secularização, de acordo com um levantamento realizado pelo Latinobarómetro e apresentado na última sexta-feira em Santiago do Chile.

O estudo mostra a evolução da religião em 18 países latino-americanos entre 1995 e 2017 e é publicado às vésperas da visita que o pontífice fará ao Chile e ao Peru, de 15 a 21 de janeiro.

“O destaque é a forte queda do catolicismo e o forte crescimento daqueles que declaram não ter nenhuma religião, que se dizem agnósticos ou ateus”, disse a diretora do Latinobarómetro, Marta Lagos.

De acordo com o estudo, os latino-americanos avaliam o Papa Francisco com um 6.8, uma nota inferior aos 7.2 que recebeu em 2013, quando assumiu o cargo.

A média 6.8 para a região contém diferenças por países. Aqueles que avaliam mais positivamente o Pontífice são o Paraguai (8.3), o Brasil (8.0) e o Equador e a Colômbia (7.5), ao passo que o Uruguai (5.9) e o Chile (5.3) estão no extremo oposto.

Ao reunir as respostas de acordo com a religião professada pelos inquiridos, os católicos dão nota 7.7 ao Papa, os evangélicos 5.1 e os ateus ou agnósticos 5.3.

Os países onde há mais pessoas que se declaram católicas são o:
* Paraguai (89%),
* o México (80%),
* o Equador (77%),
* o Peru (74%),
* a Colômbia (73%) e
* a Bolívia (73%).
Catedral Metropolitana de Assunção - Paraguai

65% dos entrevistados nos 18 países da América Latina dizem que confiam na Igreja. Os países onde a Igreja tem mais crédito são Honduras (78%), Paraguai (77%) e Guatemala (76%), enquanto no Chile apenas 36% dos cidadãos confiam na instituição. [Leia matéria abaixo que explica essa desconfiança dos chilenos na Igreja Católica]

De acordo com Marta Lagos, o ponto de ruptura no caso chileno é a condenação por abusos sexuais do influente sacerdote Fernando Karadima, que o Vaticano sentenciou em 2011.

Antes que o escândalo fosse descoberto, a confiança dos chilenos na Igreja católica era de cerca de 60%, mas em 2011 caiu fortemente para 38%.

O número de latino-americanos que se declaram católicos caiu de maneira paulatina durante as últimas duas décadas. Se, em 1995, os católicos representavam 80%, essa porcentagem caiu para 59% em 2017, de acordo com a pesquisa.

No extremo oposto, existem sete países onde a Igreja católica já representa menos da metade da população:
* República Dominicana (48%),
* Chile (45%),
* Guatemala (43%),
* Nicarágua (40%),
* El Salvador (39%),
* Uruguai (38%) e
* Honduras (37%).
Procissão de Domingo de Ramos em Honduras - 2015

Em países como Honduras e Guatemala, o declínio acentuado dos católicos está diretamente relacionado ao surgimento das Igrejas evangélicas, que se tornaram o credo majoritário.

No Chile e no Uruguai, por outro lado, explica-se pelo aumento da população que não professa nenhuma religião, que se diz ateia ou agnóstica. No Uruguai, este grupo representa 41% da população e no Chile 38%, de acordo com a pesquisa.

Nessa velocidade, dentro de 10 anos, o número de países latino-americanos que terão a religião católica dominante será uma minoria”, disse Marta Lagos.

A diretora do Latinobarómetro acredita que o desencanto geral com a religião católica na América Latina deve-se ao declínio da pobreza e ao surgimento de uma classe média mais individualista que se afasta das instituições.

Marta Lagos destacou que a eleição de Francisco, em 2013, teve um “efeito positivo” no catolicismo e que ele tem o carisma necessário para recuperar uma parte da fé perdida.

Na sua opinião, as visitas que fez na região e a próxima viagem ao Chile e ao Peru refletem a preocupação do pontífice de restaurar a influência que a Igreja perdeu nos últimos anos.

A pesquisa do Latinobarómetro incluiu entrevistas pessoais com 1.200 pessoas de países sul-americanos e do México, e mil da América Central, com uma margem de erro entre 2,8% e 3%.

Traduzido do italiano por André Langer.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos – Notícias – Segunda-feira, 15 de janeiro de 2018 – Internet: clique aqui.

Chile:
A visita de Francisco não consegue entusiasmar
a população

Federico Grünewald
Jornal «La Nación»
14-01-2018

Os organizadores da visita de Francisco cometeram erros visíveis
como excluir grupos de base dos encontros ou pedir dinheiro em empréstimos bancários para financiar o alto custo da visita,
que foi modificada em duas ocasiões
Pe. Mariano Puga - bairro La Legua - Santiago (Chile)

Mariano Puga é um sacerdote chileno que atua em La Legua, um dos bairros mais estigmatizados pela pobreza e o tráfico de drogas de Santiago. Há poucos dias, quando lhe perguntaram que tipo de Igreja o Papa irá encontrar, assim que aterrissar no Chile, nesta segunda-feira, para sua nova visitação regional, ele disse:
«Como a mais sem-graça da história.
É uma Igreja que se esqueceu de Jesus, do Evangelho, e dos pobres».

Hoje, a segunda visita de um Papa ao país - a primeira foi a de João Paulo II, em 1987 - entusiasma pouco ou quase nada os chilenos, que:
* percebem a Igreja como hierárquica e elitista,
* oposta a reformas como o direito ao aborto ou ao matrimônio igualitário,
* com pouca sintonia com os jovens e
* uma credibilidade em xeque devido a dezenas de escândalos de abuso sexual.

De acordo com uma pesquisa feita pelo instituto Latinobarómetro, na região se encontram os chilenos que menos valorizam Jorge Bergoglio (5,3 contra uma média de 6,8, no Chile).

Além disso, os organizadores da visita de Francisco cometeram erros visíveis como:
* excluir grupos de base dos encontros ou
* pedir dinheiro em empréstimos bancários para financiar o alto custo da visita, que foi modificada em duas ocasiões.

De fato, essa foi uma das críticas manifestadas nos panfletos contra a visita papal que apareceram nos últimos dias em Santiago, palco de ataques a paróquias que geraram preocupação nas autoridades e uma atmosfera fria para a visita.

O último erro foi explicado por Paulo Álvarez, um historiador que preside a Comissão de Direitos Humanos de La Legua. Para ver o Papa no Chile, nas três missas abertas e massivas que ocorrerão (em Santiago, Temuco e Iquique), os peregrinos tinham de se registrar pela internet e obter uma entrada gratuita.

«O desejo de censurar, conter e controlar tem sido excessivo e caricaturou a mensagem que Francisco pode nos trazer», expressou Álvarez, que está esperançoso de que o Papa, com seu carisma e seus gestos, finalmente venha a conseguir fazer com que os chilenos se apaixonem.

Chile: atacaram quatro igrejas com bombas caseiras

Anteontem, a comissão organizadora anunciou que em uma das missas, a de Iquique, na Praça Lobito, não serão requisitados os ingressos online, porque a capacidade é para 380 mil pessoas e apenas 150 mil ingressos haviam sido distribuídos. Isso confirmou a indiferença das pessoas para com a Igreja Católica e seu líder máximo.

Em números, a única coisa que favorece esta religião no país são os dados entregues aos jornalistas que cobrirão a visita, indicando que há 13,329 milhões de católicos no Chile, ou seja, 74% da população. A porcentagem contrasta visivelmente com a Pesquisa Bicentenário 2014, que afirma que 59% das pessoas se declararam católicas, e com a pesquisa Latinobarómetro, publicada esta semana, onde o Chile aparece com 45% de católicos, um valor baixo em comparação com outros países da região.

Rodolfo Olivera, pastor da Igreja Luterana de Valparaíso e um dos líderes religiosos que praticam o ecumenismo, disse: «Acredito que as pessoas não criaram uma expectativa com a visita do Papa, como foi criada com João Paulo II, que trouxe uma mensagem de esperança. Francisco deixou de ser crível quando suas ações foram percebidas como orientadas para o acobertamento de padres abusadores», acrescentou.
Pe. Fernando Karadima - ex-pároco de El Bosque em Santiago (Chile) - acusado e condenado por pedofilia

O caso mais grave é o de Fernando Karadima, um sacerdote com influência na elite chilena, no final do século passado, e que está entre os nomes que a ONG Bishop Accountability vinculou a 75 casos de pedofilia no Chile.

Juan Barros, nomeado por Francisco como Bispo de Osorno há três anos, foi mencionado como o protetor de Karadima.

Os católicos querem sua renúncia e formaram o movimento Leigos de Osorno (Laicos de Osorno, NdT), que protestará durante a passagem do papamóvel, em Santiago, porque embora tenha sido censurada a carta divulgada esta semana, em que Francisco recomendava um ano sabático a Barros, o único conteúdo sobre a temática que circulou em 2016 foi um vídeo do Pontífice na Praça de São Pedro. Na gravação ele respondia a alguns peregrinos: «Osorno sofre, sim, por ser tola, porque não abre seu coração ao que Deus diz e se deixa levar pelas mentiras ditas por toda essa gente [...] Pensem com a cabeça e não se deixem influenciar por todas essas pessoas terríveis que armaram a coisa toda».
Dom Juan Barros - Bispo de Osorno (Chile)
Nomeação contestada devido suas ligações com Pe. Fernando Karadima

Outra questão espinhosa: o acesso da Bolívia ao mar

Outro assunto espinhoso para o Papa durante a sua estadia no Chile, que terminará na próxima quinta-feira, é a questão do acesso da Bolívia ao mar. Ele poderia fazer um apelo às autoridades chilenas e bolivianas para que negociem sobre a reclamação marítima de La Paz, segundo especula a imprensa chilena há semanas. A mídia local sustenta que essa é a razão pela qual o governo de Michelle Bachelet evitou convidar formalmente os líderes de países vizinhos antes da chegada de Francisco.

Anteontem, o presidente boliviano, Evo Morales, afirmou através do Twitter que o Papa se comprometeu com a demanda de buscar uma saída ao mar para a Bolívia, durante sua visita ao Chile. "O ex-embaixador argentino no Vaticano, Eduardo Valdés, confirma que o irmão Francisco se comprometeu com a saída ao mar para a Bolívia e buscará um acordo com o Chile. Nossa demanda #MarParaBolivia se fortalece e cresce como o mar que nos foi tirado injustamente", ele escreveu.

Traduzido do espanhol por Henrique Denis Lucas.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos – Notícias – Segunda-feira, 15 de janeiro de 2018 – Internet: clique aqui.

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