«Em terra de Maria-vai-com-as-outras cada um sabe, ou deveria saber, onde sua inteligência o acompanha ou o abandona.»

(Henrique Musashi [44 anos] – poeta e artista cearense)

Quem sou eu

Jales, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; tenho Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, realizo meu Pós-doutorado na PUC de São Paulo. Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Sensacional: palavras do Papa a um padre

Ao despedir-se do padre José Tolentino Mendonça, que pregou o retiro quaresmal à Cúria Romana e ao Papa,
eis as palavras de Francisco
PAPA FRANCISCO
dirige as palavras finais de agradecimento a Pe. José Mendonça Tolentino

«Padre, gostaria de agradecer, em nome de todos, por este acompanhamento nesses dias, que hoje se prolongarão com o dia de oração e jejum pelo Sudão do Sul, o Congo e também a Síria.
Obrigado, Padre, por nos ter falado da Igreja, por nos ter feito sentir a Igreja, este pequeno rebanho. E também por nos ter advertido a não “diminuí-lo” com as nossas mundanidades burocráticas!
Obrigado por nos ter recordado que a Igreja não é uma gaiola para o Espírito Santo, que o Espírito voa também fora e trabalha fora. E com as citações e as coisas que o senhor nos disse, nos fez ver como trabalha nos não crentes, nos “pagãos”, nas pessoas de outras confissões religiosas: é universal, é o Espírito de Deus, que é para todos.
Também hoje existem os “Cornélios”, “centuriões”, “guardiões da prisão de Pedro” que vivem uma busca interior ou sabem também distinguir quando há algo que chama.
Obrigado por esta chamada a nos abrir sem medo, sem rigidez, para sermos suaves no Espírito e não nos mumificar nas nossas estruturas que nos fecham.
Obrigado, padre. E continue a rezar por nós. Como dizia a madre superiora às irmãs: “Somos homens!”, pecadores, todos.
Obrigado, padre. E que o Senhor o abençoe.»
PE. JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA
pregando o Retiro Espiritual da Quaresma - Arricia - Itália (18 a 23 de fevereiro de 2018)

O papa Francisco partiu este domingo (dia 18 de fevereiro) para Arricia, a cerca de 30 quilómetros de Roma, para fazer um retiro espiritual de alguns dias sob a direção do padre e teólogo português José Tolentino de Mendonça.

O papa abandonou o Vaticano pelas 15:00 de Lisboa (13h00 de Brasília, DF), de autocarro e na companhia de alguns elementos da Cúria, o governo do Vaticano, para durante uma semana fazer um retiro espiritual que todos os anos realiza durante a época da Quaresma.

As sessões de meditação, em torno do tema «O elogio da sede», decorrerão sob a orientação do padre José Tolentino de Mendonça, vice-reitor da Universidade Católica de Lisboa (Portugal), segundo um comunicado da Santa Sé.

O tradicional retiro da Quaresma do papa Francisco e da Cúria Romana decorre na Casa do Divino Mestre, dos religiosos paulinos, em Ariccia.

Tolentino de Mendonça, ordenado padre em 1990, é também consultor do Conselho Pontifício para a Cultura (Santa Sé).
 
PE. JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA
Teólogo, biblista e escritor português
Tolentino Mendonça fala do retiro que pregará ao papa

Fernando Pessoa, Clarice Lispector e Antoine de Saint-Exupéry são alguns dos poetas que inspiraram as meditações que o Pe. José Tolentino Mendonça vai apresentar entre amanhã e sexta-feira, em Ariccia, perto do Vaticano, nos exercícios espirituais quaresmais do papa Francisco e da Cúria Romana. [...]

O tema das periferias, caro ao papa, será também assinalado pelo Pe. Tolentino: «Cristo era um periférico, uma voz escondida, e depois porque os cristãos são hoje expressão de um cristianismo que já não é central, urbano e ocidental».

Porque escolheu a sede como tema das suas reflexões?

Tolentino: Uma coisa que me preocupa muito concretamente é que a fé não tenha só uma credibilidade racional, mas que seja também credível do ponto de vista antropológico. A fé não é uma ideologia: é uma experiência. A sede é um tema que o mostra bem. A sede não é uma ideia, mas revela a vida na sua realidade. Não é por acaso que a Sagrada Escritura faz da sede um tema recorrente. Por exemplo, mais de uma vez, nos Evangelhos, escutamos Jesus dizer que tem sede. O que significa esta sede? E que coisa pode significar para nós neste tempo concreto da vida da Igreja? A espiritualidade e a mística cristã cultivaram com sabedoria a temática da sede, mas esta para nós pode funcionar também como um útil mapa para abordar o presente.

Que respostas se podem dar hoje à sede espiritual do ser humano?

Tolentino: Quando acolhemos verdadeiramente o desafio da sede, percebemos que a coisa mais importante não é propriamente satisfazê-la, mas interpretá-la, aprofundar-lhe o significado, intensificá-la, levá-la mais longe. A sede, por si própria, é um património espiritual. Como dizia a poetisa Emily Dickinson, «a água é ensinada pela sede». Devemos ter a coragem de assumir a sede como mestra nos caminhos da alma.

A sede é também uma das pobrezas materiais do ser humano. Qual é a tarefa dos cristãos diante deste desafio?

Tolentino: É uma questão muito importante porque corremos o risco de entender comodamente a sede só em sentido simbólico e espiritual, esquecendo-nos do seu sentido literal. A sede, porém, não nos fecha em nós mesmos. Pelo contrário, coloca-nos perante a pergunta que Deus faz no início: «Onde está o teu irmão?». Há uma sede das periferias que nos obriga a reinventar o significado da fraternidade, não como um conceito, mas como uma prática, um estilo de relação eclesial.

Mas sede de Deus e sede do ser humano muitas vezes não coincidem. Como se pode encontrar um ponto de encontro?

Tolentino: A sede do nosso coração precisa de ser purificada e redirecionada. Numa sociedade do consumo, como é aquela típica do mundo ocidental, a sede é muitas vezes reduzida a um gesto consumista. O que hoje percepcionamos como um problema grave das nossas sociedades é que a hiperestimulação do desejo está a gerar uma incapacidade de desejar. As pequenas sedes que nos absorvem transformam-se num obstáculo para viver a GRANDE SEDE: a sede de significado, de verdade, de beleza, de absoluto ou de infinito.

Fontes: Vatican News  Papa  Sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018 - 11h45 (07h45 horário de Brasília - DF) Internet: clique aquiDiário de Notícias – Mundo – Domingo, 18 de fevereiro de 2018 – 17h24 (14h24 horário de Brasília – DF) – Internet: clique aqui; iMissio – Vaticano – Domingo, 18 de fevereiro de 2018 – Internet: clique aqui.

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