«Penso noventa e nove vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio – e eis que a verdade se me revela.»

(Albert Einstein [1879-1955] – físico teórico alemão, um dos mais ilustres cientistas do mundo)

Quem sou eu

Jales, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; tenho Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, realizo meu Pós-doutorado na PUC de São Paulo. Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

quinta-feira, 8 de março de 2018

A libertação da mulher precisa chegar à Igreja

Já não é mais tempo de freiras servis. Porque a
Igreja deve lidar com a questão das mulheres

Marco Politi
Jornalista e ensaísta italiano
«Il Fatto Quotidiano»
04-03-2018

Enquanto isso, no Vaticano, não houve grandes mudanças
Muitas religiosas (= freiras) somente atuam em serviços domésticos, muitas vezes, sem remuneração
ou somente com poucos recursos. E evangelização fica em segundo plano!

O tempo está se esgotando também para os pontificados. Era setembro de 2013, quando o Papa Francisco deu sua entrevista programática à revista dos jesuítas Civiltà Cattolica, em que abordava, entre outros assuntos, a questão das mulheres na Igreja. O papel da mulher na comunidade eclesial, disse ele, deve ser tornado «mais visível». Então, com uma diferença acentuada em comparação com as intervenções dos papas anteriores, enfatizou que a sua presença era necessária «nos lugares onde se tomam decisões importantes» e que as mulheres deviam estar presentes «lá onde se exerce a autoridade nos vários âmbitos da Igreja».

Palavras desafiadoras, que três anos mais tarde levariam à criação da Comissão de estudo sobre o diaconato feminino, que está no aguardo que o pontífice argentino publique os resultados.
Lucetta Scaraffia - historiadora

Uma reportagem do caderno «Mulheres Igreja Mundo» dirigido pela historiadora Lucetta Scaraffia, publicado junto com o L'Osservatore Romano, no entanto coloca em questão a preocupante lentidão com a qual a organização patriarcal-sexista da Igreja reage à mudança radical de concepção e de papel que a mulher conquistou para si no nosso mundo contemporâneo.

O artigo de Marie-Lucile Kubacki relata coisas que todo mundo conhece e sobre as quais quase todo mundo cala na instituição eclesiástica: o trabalho servil das Irmãs ao serviço dos homens prelados, bispos e cardeais. O artigo é explosivo porque aparece no L'Osservatore Romano e porque está escrito de uma forma muito sóbria.
Marie-Lucile Kubacki - jornalista francesa

Mas as palavras de uma freira anônima deixam a sua marca: «Um eclesiástico pensa que a irmã deva lhe servir a refeição e ficar comendo sozinha na cozinha depois de servi-lo... irmãs que tinham servido durante trinta anos em uma instituição e que, quando ficavam doentes, nenhum dos sacerdotes que serviam ia visitá-las... uma freira, que tinha ensinado por muitos anos e, de um dia para o outro, aos cinquenta anos, lhe foi dito que a partir daquele momento sua missão seria de abrir e fechar a igreja paroquial, sem nenhuma outra explicação... Irmãs com doutorado em teologia que, de repente, são mandadas a cozinhar ou lavar os pratos».

«Eu sofro – havia declarado Francisco já nos primeiros anos do pontificado em um encontro com as religiosas - quando vejo na Igreja ou em algumas organizações eclesiais que o papel do serviço das mulheres desliza para o papel de servidumbre, ou seja, servidão». Mas, cinco anos depois de seu advento, pouco parece ter mudado e o ingresso das mulheres (religiosas ou laicas) nas instâncias de decisão ainda está longe de ser concretizado.

A Madre Carmen Sammut, presidente da União Internacional das Superioras Gerais (UISG), que reúne a liderança das centenas de milhares de freiras do mundo, declara: «No Vaticano nunca somos consultadas». Ao Sínodo sobre a família foram autorizadas a participar apenas três representantes das Superiores Gerais. No entanto, haviam pedido para serem admitidas em, pelo menos, oito.
Carmen Sammut
Presidente da União Internacional das Superioras Gerais (UISG)

Enquanto isso, no Vaticano, não houve grandes mudanças. O Papa nomeou duas professoras subsecretárias do Dicastério dos Leigos e uma freira como subsecretária da Congregação dos Religiosos (Vida Consagrada). Entretanto, o único membro feminino do conselho administrativo do IOR («banco» do Vaticano), a norte-americana Mary Ann Glendon, pediu demissão e assim o panorama da Cúria permanece, quase na íntegra, insistentemente masculino.

Não se trata de reivindicações «feministas», nem mesmo de ignorar que 
os tempos da Igreja são tradicionalmente lentos e graduais.
O fato é que a Igreja corre o risco de perder o contato com um mundo de fé feminino, que, na ausência de participação efetiva na missão de ativa evangelização da Igreja,
está rapidamente se afastando.
Mary Ann Glendon
Professora de Direito na Universidade de Harvard
Ex-embaixadora dos Estados Unidos junto à Santa Sé

Todas as pesquisas sociológicas mais recentes – ver os relatos dos professores Garelli e Castegnaro – mostram que na Itália mulheres e homens «abandonam» agora em número igual a paróquia e a frequentação dos sacramentos após a adolescência. Não há mais, como no passado, uma maciça «reserva feminina».

O número de mulheres dispostas a se tornar freiras está despencando. Em 2000 as freiras (religiosas professas) eram 801.000. Oito anos mais tarde, esse número havia caído para 740.000. O último levantamento de 2015 indica um total de 670.000. Uma perda de 130.000 pessoas. E se é verdade que na África e na Ásia as vocações estão em ascensão porque se tornar freira ainda representa um resgate social, no Primeiro Mundo, a falta de motivação assumiu dimensões de massa. Certamente não é a perspectiva de trabalho servil ou de gestão de instalações de hospedarias para o turismo (algo bastante difundido em Roma) que vai incentivar possíveis futuras vocações. [Quantas freiras ocupadas em tarefas domésticas, burocráticas, distantes das comunidades onde há necessidade de evangelização!]

«Queremos evangelizar, não lavar suas meias!» exclamou uma freira já nos tempos de João Paulo II durante o Sínodo sobre a África. A Igreja Católica é também uma estrutura social e para trazer mudanças são necessárias instruções precisas, decretos que criem uma nova forma de operar.

Para o Papa Francisco, na segunda metade de seu pontificado, surge a questão de
dar uma forma organizacional, jurídica para os objetivos declarados:
levar as mulheres para os lugares
«onde são tomadas decisões e é exercida a autoridade».

Traduzido do italiano por Luisa Rabolini. Para acessar a versão original desta matéria, clique aqui.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos – Notícias – Quinta-feira, 8 de março de 2018 –Internet: clique aqui.

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