«Somente a turba e a elite podem ser atraídas pelo ímpeto do totalitarismo. As massas precisam ser ganhas por propaganda.»

(Hannah Arendt [1906-1975] – filósofa alemã de origem judaica, uma das mais influentes do séc. XX)

Quem sou eu

Jales, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; tenho Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, realizo meu Pós-doutorado na PUC de São Paulo. Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

domingo, 25 de março de 2018

DOMINGO DE RAMOS E DA PAIXÃO DO SENHOR – ANO B

Evangelho (Procissão de ramos): Marcos 11,1-10

1 Quando se aproximaram de Jerusalém, na altura de Betfagé e de Betânia, junto ao monte das Oliveiras, Jesus enviou dois discípulos,
2 dizendo: «Ide até o povoado que está em frente, e logo que ali entrardes, encontrareis amarrado um jumentinho que nunca foi montado. Desamarrai-o e trazei-o aqui!
3 Se alguém disser: “Por que fazeis isso?”, dizei: “O Senhor precisa dele, mas logo o mandará de volta”.»
4 Eles foram e encontraram um jumentinho amarrado junto de uma porta, do lado de fora, na rua, e o desamarraram.
5 Alguns dos que estavam ali disseram: «O que estais fazendo, desamarrando este jumentinho?».
6 Os discípulos responderam como Jesus havia dito, e eles permitiram.
7 Trouxeram então o jumentinho a Jesus, colocaram sobre ele seus mantos, e Jesus montou.
8 Muitos estenderam seus mantos pelo caminho, outros espalharam ramos que haviam apanhado nos campos.
9 Os que iam na frente e os que vinham atrás gritavam: «Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor!
10 Bendito seja o reino que vem, o reino de nosso pai Davi! Hosana no mais alto dos céus!».

JOSÉ ANTONIO PAGOLA

IDENTIFICADO COM AS VÍTIMAS

Nem o poder de Roma nem as autoridades do Templo puderam suportar a novidade de Jesus. A sua forma de entender e de viver Deus era perigosa. Não defendia o império de Tibério, chamava a todos para procurar o Reino de Deus e a sua justiça. Não lhe importava quebrar a lei do sábado nem as tradições religiosas, só lhe preocupava aliviar o sofrimento das pessoas doentes e desnutridas da Galileia.

Não o perdoaram. Identificava-se demasiado com as vítimas inocentes do Império e com os esquecidos pela religião do Templo. Executado sem piedade numa cruz, nele se nos revela agora Deus, identificado para sempre com todas as vítimas inocentes da história. Ao grito de todos eles se une agora o grito de dor do mesmo Deus.

Nesse rosto desfigurado do Crucificado revela-se um Deus surpreendente, que quebra as nossas imagens convencionais de Deus e coloca em questão toda prática religiosa que pretenda dar-lhe culto esquecendo o drama de um mundo onde se continua a crucificar os mais fracos e indefesos.

Se Deus morreu identificado com as vítimas, a sua crucificação converte-se num
desafio inquietante para os seguidores de Jesus.
Não podemos separar Deus do sofrimento dos inocentes.

Não podemos adorar o Crucificado e viver de costas ao sofrimento de tantos seres humanos destruídos pela fome, pelas guerras ou pela miséria.

Deus continua a interpelar-nos a partir dos crucificados de nossos dias. Permite-nos continuar a viver como espectadores desse sofrimento imenso alimentando uma ingênua ilusão de inocência. Temos de rebelar-nos contra essa cultura do esquecimento que permite nos isolarmos dos crucificados, deslocando o sofrimento injusto que há no mundo para um «afastamento» onde desaparece todo o clamor, gemido ou choro.

Não podemos fechar-nos em nossa «sociedade de bem-estar», ignorando essa outra «sociedade do mal-estar» em que milhões de seres humanos nascem só para se extinguir aos poucos anos de uma vida que só foi de sofrimento. Não é humano nem cristão instalar-nos na segurança, esquecendo a quem só conhece uma vida insegura e ameaçada.

Quando nós, os cristãos, levantamos os nossos olhos até ao rosto do Crucificado, contemplamos o amor insondável de Deus, entregue até à morte para a nossa salvação. Se olharmos mais detidamente, depressa descobrimos nesse rosto o de tantos outros crucificados que, longe ou perto de nós, estão reclamando o nosso amor solidário e compassivo.


O que significa para nós viver este tempo?
Que significa seguir Jesus em seu caminho para o Calvário, para a cruz e a ressurreição?
Vejamos:

* Significa sair de nós mesmos para ir ao encontro dos demais, à periferia da existência, aos mais distantes, aos esquecidos, àqueles que necessitam compreensão, consolo e auxílio.
* Viver este tempo significa também entrar, cada vez mais, na LÓGICA DE DEUS, da CRUZ e do EVANGELHO.
* Sair sempre com o amor e a ternura de Deus, no respeito e na paciência, sabendo que nós colocamos as mãos, os pés, o coração, porém é Deus quem guia e torna fecundas nossas ações.

Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: José Antonio Pagola. La Buena Noticia de Jesús – Ciclo B. Madrid: PPC, 2017, páginas 81-83.

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