«Somente a turba e a elite podem ser atraídas pelo ímpeto do totalitarismo. As massas precisam ser ganhas por propaganda.»

(Hannah Arendt [1906-1975] – filósofa alemã de origem judaica, uma das mais influentes do séc. XX)

Quem sou eu

Jales, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; tenho Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, realizo meu Pós-doutorado na PUC de São Paulo. Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

sexta-feira, 9 de março de 2018

Juventude rumo ao desastre!

Metade dos jovens brasileiros têm futuro
ameaçado, alerta Banco Mundial

Lu Aiko Otta

Segundo relatório, um em cada dois jovens corre o risco de 
ficar fora do circuito dos bons empregos no País

Um em cada dois jovens brasileiros com idade entre 19 e 25 anos corre sério risco de ficar fora do circuito dos bons empregos no País e, com isso, está mais vulnerável à pobreza. É o que aponta o relatório “Competências e Empregos: Uma Agenda para a Juventude” [para baixá-lo, clique aqui], divulgado pelo Banco Mundial.

O documento diz que 52% da população jovem brasileira, quase 25 milhões de pessoas, estão desengajados da produtividade. Nessa conta, estão:
1º) os 11 milhões dos chamados “nem-nem”, aqueles que nem trabalham, nem estudam.
2º) A eles, foram somados aqueles que estão estudando, mas com atraso em sua formação.
3º) E os que trabalham, mas estão na informalidade.

“É uma população que vai ser vulnerável, vai ter mais dificuldade de achar emprego, corre maior risco de cair na pobreza”, disse o diretor da instituição para o Brasil, Martin Raiser.

Além da ameaça ao futuro desses jovens, essa situação leva a outra consequência séria: ela coloca em risco o crescimento da economia brasileira. Isso porque o País vai depender do trabalho deles para continuar produzindo. Mais ainda, vai precisar que eles sejam mais produtivos do que seus pais para reverter uma tendência de queda na taxa de crescimento do Brasil.

A urgência na adoção de uma agenda para que o Brasil produza melhor com os recursos que possui foi analisada em outro relatório: “Emprego e Crescimento: a Agenda da Produtividade”, também divulgado hoje pelo Banco Mundial. No entendimento dos economistas do organismo, os dois temas estão profundamente relacionados. A melhora na formação de jovens e sua preparação para o mercado de trabalho é um dos itens da agenda da produtividade.

O relatório traz evidências que a educação no País é falha e não se traduz em aumento de produtividade. Na Malásia, por exemplo, um ano a mais na escola resulta numa elevação de US$ 3.000,00 no salário. Na Turquia, US$ 4.000,00. Na Coreia do Sul, US$ 7.000,00. No Brasil, o ganho é próximo a zero. “Precisamos de uma educação de qualidade que cumpra sua missão de dar competência aos jovens”, disse a economista Rita Almeida. [Há quanto tempo escutamos este discurso?! E nenhum governante tomou, até o momento, medidas que sejam, de fato, suficientes para tirar o Brasil do atraso educacional!!!]

Ela avalia que a reforma do ensino médio de 2017 atacou alguns pontos críticos, mas ainda falta ver como será sua implementação. Além disso, seria necessário dar um foco político mais forte ao problema da evasão escolar. No Brasil, apenas 43% da população acima de 25 anos concluiu o ensino médio. Nos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), o índice é de 90%.

Mais grave do que constatar que há pouca gente com formação de nível médio é verificar que essa tendência se mantém. Hoje, um de cada três jovens de 19 anos já está fora da escola. [Isto é uma calamidade!!! Ninguém está se importando!!! Sem falar, que temos uma escola que não atrai, não estimula o aprendizado, o conhecimento!!!]

Entre as ideias trazidas pelo relatório, está a:
a) criação de programas para redução da gravidez na adolescência.
b) Os programas de transferência de renda poderiam ser direcionados para estimular a conclusão do ensino médio.
c) Além disso, seria necessário informar melhor os jovens sobre os benefícios do estudo.

“É claro que tenho medo do futuro”,
diz estudante que enfrenta dificuldades

José Maria Tomazela, Carmem Pompeu e Mônica Bernardes

Aos 24 anos, Luana teve de abandonar a faculdade de Direito
e hoje vende roupas
DÉBORA SUPINO

Aos 21 anos, Débora Supino faz bijuterias, em Sorocaba, para pagar o curso de Pedagogia. Melissa Duarte, de 26, está à procura de emprego, em Recife, para retomar o curso de Odontologia, interrompido depois de três anos de estudos. Na mesma cidade, Denilson Arruda, de 19, se vira com bicos de fotógrafo, enquanto espera por um financiamento estudantil para estudar Jornalismo. Em Fortaleza, Luana Andrade, de 24, vende roupas e cuida da avó desde que abandonou a faculdade de Direito.

São histórias que se repetem pelo País e que se somam a de 25 milhões de jovens brasileiros que, segundo relatório do Banco Mundial divulgado nesta quarta-feira, 7, estão às margens da economia, sem condições de ter uma formação profissional de qualidade, que lhes garanta um bom emprego.

“Claro que tenho medo do futuro”, diz Luana. “Quero ter filhos, formar uma família e não sei como vou garantir o sustento deles sem ter uma profissão definida.” Hoje, além de vender roupas em redes sociais, ela sobrevive com a pensão da avó.

Para Débora Supino, a saída foi fazer uma jornada dupla, já que os pais não podem ajudá-la a pagar a faculdade de Pedagogia. Cursando o último semestre do curso, ela faz estágio numa escola de educação infantil e trabalha informalmente em um ateliê de acessórios femininos. “Foi o que me livrou de trancar o curso.” Ainda assim, tem dificuldades para pagar as mensalidades em dia.

Melissa não conseguiu escapar. Depois que a mãe ficou desempregada, ficou impossível, mesmo com uma bolsa parcial, bancar o valor do curso de Odontologia, além dos custos com livros e material de laboratório. Está com uma dívida de R$ 5,6 mil das últimas parcelas. “Como as aulas são durante todo o dia não tenho como trabalhar e ganhar algum dinheiro para ajudar. O jeito foi trancar”, conta. Agora, ela está em busca de um emprego para juntar dinheiro e retomar a faculdade.

Denilson, que sonha em ser jornalista, está numa fase anterior, à espera de uma bolsa para saber se conseguirá pagar a mensalidade do curso. “Dependo disso para saber se vai dar, ou não. Tudo é muito caro e meus pais não têm condições de pagar, por isso é minha obrigação buscar uma fonte de renda para pagar meus estudos”, disse.

“Enquanto espero, tenho feito um pouco de tudo para garantir um dinheirinho para poder comprar os livros, pagar as passagens e as outras despesas com a faculdade”. A mensalidade para o curso escolhido, nas duas instituições em que o jovem tenta uma bolsa, varia de R$ 1,4 mil a R$ 1,6 mil.

O futuro da desigualdade:
foco nos jovens de hoje

Sérgio Firpo
Professor de Economia do Insper – SP

Relatório traz um alerta sobre nossa baixa produtividade, a qual limita
o crescimento econômico e afeta nossa capacidade redistributiva
SÉRGIO FIRPO - economista e professor do Insper (São Paulo - SP)

Sabe-se se que o Brasil é um país profunda e historicamente desigual. A despeito da recente queda da desigualdade de renda que se iniciou nos anos 1990 e que foi abortada a partir de 2015, continuamos a ser um dos dez países com a maior desigualdade de renda no mundo. Melhorar a distribuição de renda no Brasil no longo prazo, requer dar oportunidades mais igualitárias aos nossos jovens. Mas o recente relatório do Banco Mundial intitulado “Competência e Emprego: Uma Agenda para a Juventude” nos revela que talvez não estejamos caminhando nessa direção.

O relatório traz um alerta sobre nossa baixa produtividade, a qual limita o crescimento econômico e afeta nossa capacidade redistributiva. Elevamos em mais de 50% a escolaridade média da população nos últimos 30 anos. Seria de se esperar que trabalhadores com mais anos de estudo fossem mais produtivos em seus postos de trabalho.

Mas ganhos agregados de produtividade do trabalho não ocorreram nesse período. Para esse potencial “puzzle” há diversas explicações:
a) como a baixa qualidade da educação básica, a ponto de os anos de escolaridade a mais não se refletirem em ganhos de aprendizado dos alunos e
b) a falta de competição no mercado de produtos, que permite a empresas pequenas contratar trabalhadores de baixa produtividade e ainda conseguir manter suas operações.
Não há, assim, nem a geração de competências e habilidades que serão úteis no mercado de trabalho, nem a demanda pelas empresas por tais habilidades.

Claro que há grande heterogeneidade entre os jovens na aquisição das competências e habilidades valorizadas no mundo do trabalho. Há também enormes diferenças entre empregadores no que se refere à demanda por essas habilidades. Ocorre que o mercado acaba alocando jovens com menos competências técnicas, cognitivas e socioemocionais em postos de trabalho informais, onde a rotatividade é maior e a contínua acumulação de habilidades desnecessária ou desincentivada. Isso perpetua desigualdade, pois esses jovens terão uma aderência precária ao mercado formal de trabalho, permanecendo longos períodos inativos ou desempregados e com capacidade limitada de escapar da vulnerabilidade social no futuro.

A SAÍDA DA ARMADILHA que o País parece ter armado para si próprio, de baixo crescimento e alta desigualdade, depende da adoção de políticas públicas específicas.

É imperativa a adoção de iniciativas que criem oportunidades para todos os jovens desenvolverem suas habilidades e de políticas que incentivem empresas a estimular
o crescimento da produtividade de seus trabalhadores.

Precisamos mudar o foco das políticas públicas. O centro das políticas tem de estar em nossos jovens, ainda que, por restrições orçamentárias, tenhamos de reduzir os gastos, sobretudo previdenciários, com os mais velhos. A não ser que não nos importemos em ser listados de forma duradoura como top 10 nos rankings de desigualdade econômica.

Fonte: O Estado de S. Paulo – Economia & Negócios – Quinta-feira, 8 de março de 2018 – Página B1 – Internet: clique aqui; Página B3 – Internet: clique aqui; Página B3 – Internet: clique aqui.

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