«Penso noventa e nove vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio – e eis que a verdade se me revela.»

(Albert Einstein [1879-1955] – físico teórico alemão, um dos mais ilustres cientistas do mundo)

Quem sou eu

Jales, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; tenho Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, realizo meu Pós-doutorado na PUC de São Paulo. Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

sábado, 31 de março de 2018

Vigília Pascal – Sábado Santo – Ano B – Homilia

Evangelho: Marcos 16,1-7

1 Quando passou o sábado, Maria Madalena e Maria, a mãe de Tiago, e Salomé,
compraram perfumes para ungir o corpo de Jesus.
2 E bem cedo, no primeiro dia da semana, ao nascer do sol, elas foram ao túmulo.
3 E diziam entre si: «Quem rolará para nós a pedra da entrada do túmulo?».
4 Era uma pedra muito grande. Mas, quando olharam, viram que a pedra já tinha sido retirada.
5 Entraram, então, no túmulo e viram um jovem, sentado do lado direito, vestido de branco. E ficaram muito assustadas.
6 Mas o jovem lhes disse: «Não vos assusteis! Vós procurais Jesus de Nazaré, que foi crucificado? Ele ressuscitou. Não está aqui. Vede o lugar onde o puseram.
7 Ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele irá à vossa frente, na Galileia. Lá vós o vereis, como ele mesmo tinha dito».

JOSÉ ANTONIO PAGOLA 

IDE À GALILEIA, ALI O VEREIS

O relato evangélico que se lê na noite pascal é de uma importância excepcional. Não somente se anuncia a grande notícia de que o crucificado foi ressuscitado por Deus. Indica-se, além disso, o caminho que temos de percorrer para vê-lo e nos encontrarmos com ele.

Marcos fala de três mulheres admiráveis que não conseguem esquecer Jesus. São Maria de Magdala, Maria mãe de Tiago e Salomé. Em seus corações despertou-se um projeto absurdo que somente pode nascer de seu amor apaixonado: «comprar aromas para ir ao sepulcro e embalsamar seu cadáver».

O surpreendente é que, ao chegar ao sepulcro, observam que está aberto. Quando se aproximam mais, veem um «jovem vestido de branco» que as tranquiliza de seu sobressalto e lhes anuncia algo que jamais teriam suspeitado.

«Vós procurais Jesus de Nazaré, que foi crucificado?». É um erro buscá-lo no mundo dos mortos. «Não está aqui». Jesus não é mais um defunto. Não é o momento de chorá-lo e render-lhe homenagens. «Ressuscitou». Está vivo para sempre. Jamais poderá ser encontrado no mundo dos mortos, do extinto, do acabado.

Porém, se não está no sepulcro, onde se pode vê-lo? Onde podemos encontrar-nos com ele? O jovem recorda às mulheres algo que Jesus já lhes havia dito: «ele irá à vossa frente, na Galileia. Lá vós o vereis». Para «ver» o ressuscitado deve-se voltar à Galileia. Por quê? Para quê?

Ao ressuscitado não se pode «ver» sem fazer seu próprio percurso. Para experimentá-lo cheio de vida no meio de nós, há que se voltar ao ponto de partida e fazer a experiência do que foi essa vida que levou Jesus à crucifixão e ressurreição. Se não é assim, a «Ressurreição» será para nós uma doutrina sublime, um dogma sagrado, porém não experimentaremos Jesus vivo em nós.

A Galileia foi o cenário principal de sua atuação. Ali se viu seus discípulos curarem, perdoarem, libertar, acolher, despertar em todos uma esperança nova. Agora, nós, seus seguidores, temos de fazer o mesmo. Não estamos sozinhos. Ele ressuscitou e vai adiante de nós. Iremos vendo-o se caminharmos atrás de seus passos.

O mais importante e decisivo para EXPERIMENTAR O «RESSUSCITADO» não é o estudo da Teologia nem a celebração litúrgica, mas o SEGUIMENTO FIEL de Jesus.

O NOVO ROSTO DE DEUS

Não voltaremos mais a ser os mesmos!
O encontro com Jesus, cheio de vida depois de sua execução, transformou totalmente os seus discípulos. Começaram a ver tudo de maneira nova. Deus era o ressuscitador de Jesus. Imediatamente, tiraram as consequências.

1ª) DEUS É AMIGO DA VIDA. Não havia, agora, nenhuma dúvida. O que havia dito Jesus era verdade: «Deus não é um Deus de mortos, mas de vivos» [Mt 22,32; Lc 20,38]. Os homens poderão destruir a vida de mil maneiras, porém se Deus ressuscitou Jesus, isto significa que ele somente quer a vida para seus filhos. Não estamos sozinhos nem perdidos diante da morte. Podemos contar com um Pai que, acima de tudo, inclusive, acima da morte, quer ver-nos cheios de vida. Daqui em diante, só há uma maneira cristã de viver, a qual se resume assim: pôr vida onde outros põem morte.

2ª) DEUS É DOS POBRES. Jesus já o havia dito de muitas maneiras, porém não era fácil crer nisso. Agora é diferente. Se Deus ressuscitou Jesus, quer dizer que é verdade: «felizes os pobres porque eles têm Deus». A última palavra não a tem Tibério nem Pilatos, a última decisão não é de Caifás nem de Anás. Deus é o último defensor dos que não interessam a ninguém. Somente há uma maneira de parecer-se com ele: defender os pequenos e indefesos.

3ª) DEUS RESSUSCITA OS CRUCIFICADOS. Deus reagiu diante da injustiça criminosa daqueles que crucificaram Jesus. Se o ressuscitou é porque deseja introduzir justiça por cima de tanto abuso e crueldade como se comete no mundo. Deus não está do lado dos que crucificam, está com os crucificados. Somente há uma maneira de imitá-lo: estar sempre junto aos que sofrem, lutar sempre contra os que fazem sofrer.

4ª) DEUS ENXUGARÁ NOSSAS LÁGRIMAS. Deus ressuscitou Jesus. O rejeitado por todos foi acolhido por Deus. O depreciado foi glorificado. O morto está mais vivo que nunca. Agora, sabemos como é Deus. Um dia ele «enxugará todas as nossas lágrimas, e não haverá mais morte, não haverá gritos nem fatigas. Tudo isso terá passado» [cf. Ap 21,4].

Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: Sopelako San Pedro Apostol Parrokia – Sopelana – Bizkaia (Espanha) – J. A. Pagola – Ciclo B – Internet: clique aqui.

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