«Em terra de Maria-vai-com-as-outras cada um sabe, ou deveria saber, onde sua inteligência o acompanha ou o abandona.»

(Henrique Musashi [44 anos] – poeta e artista cearense)

Quem sou eu

Jales, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; tenho Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, realizo meu Pós-doutorado na PUC de São Paulo. Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

País está cavando o fundo do poço da depressão

João Sicsu

Com crescimento pífio da economia,
Brasil tem hoje características semelhantes àquelas que a
economia norte-americana enfrentou durante os anos 1930

O Brasil mergulhou em uma profunda recessão nos anos de 2015 e 2016, perdeu mais de 8% do tamanho do seu PIB [a soma de tudo aquilo que o país produz em um ano]. O desemprego disparou, são quase 14 milhões de desocupados. A falta de demanda por produtos e serviços é prolongada. A taxa de crescimento dos investimentos é negativa desde 2014. O país tem características semelhantes àquelas que a economia norte-americana enfrentou durante os anos 1930.

Taxas de crescimento, positivas ou negativas, baixas e voláteis, são também uma característica das economias em depressão. Um pibinho é esperado para ser divulgado na próxima semana. Os viúvos da “recuperação” já estão lamentando o acidente que será anunciado.

O crescimento pífio de 1%, de 2017, não pode ser considerado uma recuperação, nem sequer, como querem crer os mais otimistas apoiadores do governo, que foi o início de uma recuperação lenta. Não existe recuperação com taxas pífias associadas a taxas de crescimento negativas do investimento.

Para sair de uma depressão, um país deve buscar:
a) a eliminação das causas recessivas primárias e, em paralelo,
b) deve ser lançado um programa de recuperação dos investimentos privados a partir do
c) lançamento de um programa de investimentos públicos.
Isso é bem conhecido.

Como disse o Prêmio Nobel,  Paul Krugman: “na Grande Depressão, os líderes tinham uma desculpa, ninguém realmente compreendia o que estava acontecendo nem sabia como resolver a situação. Os líderes de hoje não têm essa desculpa. Temos tanto o conhecimento quanto as ferramentas para acabar com esse sofrimento”.

No Brasil, as causas primárias recessivas permanecem. O mix de políticas econômicas contracionistas com contenção/limitação de gastos públicos e juros elevados não mudou. A crise política não dá sinais de arrefecimento, muito ao contrário. A Operação Lava Jato continua contribuindo para a sua manutenção e agudização. [Isso já não é consenso, mas uma visão do autor deste artigo!]

A Petrobras e cadeias produtivas associadas entram em nova crise. Ambas já tinham sofrido com ações da Operação Lava Jato e com decisões do governo, como por exemplo, o fim da política de conteúdo nacional para a produção de embarcações, navios e plataformas – o que gerou prejuízos aos empresários e desemprego para milhares de trabalhadores.

Não há sentido social nas medidas adotadas pelo governo. Vejamos. Uma economia sofre choques, por exemplo: climáticos, que quebram safras ou sofre choques na taxa de câmbio e nos preços de produtos internacionalizados devido a movimentos especulativos ou episódios externos que não são possíveis de serem controlados ou, sequer, previstos.

Governos socialmente responsáveis adotam medidas para amenizar choques se e quando ocorrerem. Por exemplo, podem diminuir a velocidade e a intensidade dos movimentos de capitais especulativos para impedir variações abruptas da taxa de câmbio. Podem também aplicar políticas de desenvolvimento tecnológico para a indústria e a agricultura visando à autossuficiência de produtos internacionalizados, como o petróleo.

Nas últimas décadas, o mercado de câmbio de moeda estrangeira se tornou cada vez aberto aos movimentos de especuladores. Isso é grave, mas já estava aí. Contudo, o Brasil fez descobertas extraordinárias de reservas de petróleo. Se tornou potencialmente autossuficiente e, em consequência, poderia administrar no mercado doméstico o preço de um produto internacionalizado.

Em meio a uma grave crise econômica com características de uma depressão, o governo adotou uma série de medidas para tornar a produção e os preços domésticos dos combustíveis comandados pelo preço internacional do petróleo e, portanto, também pelas variações cambiais.

O preço internacional do petróleo subiu e a taxa de câmbio se elevou. Os preços dos combustíveis que são bens-intermediários dispararam. Há inflação de custos que se tornaram insuportáveis. Caminhoneiros estão parando o país. O temor cresce. A crise política se agrava. O governo está paralisado. Não é capaz nem de eliminar as causas primárias da crise econômica nem de lançar um amplo programa de recuperação. A profundidade do poço aumenta e o sofrimento será prolongado.
JOHN MAYNARD KEINES
Economista britânico nascido em 1883 e falecido em 1946

Fiquemos com duas lições de John Maynard Keynes dadas durante a Depressão dos anos 1930. Ele sentenciou “... todos os governos têm grandes déficits [em uma forte contração econômica].” Portanto, a questão não é a existência de déficits públicos, mas sim onde deveriam ser utilizados os recursos tomados emprestados para cobrir esses déficits. Disse ele: “é muito melhor ... que os empréstimos sejam tomados para financiar obras públicas ... que para o propósito de pagar seguro-desemprego”.

A segunda lição é de ousadia e criatividade. Keynes via nas obras públicas uma atividade que empregava muito trabalho e que melhorava a qualidade de vida da sociedade. Então propôs: “... por que não demolir inteiramente o sul de Londres de Westminster a Greenwich, e fazer um bom trabalho aí – colocando para morar nessa área, próxima do trabalho, uma população muito maior que a atual, em edifícios muito melhores e com todas as facilidades da vida moderna e, ao mesmo tempo, provendo milhares de metros de praças e avenidas, parques e espaços públicos, tendo, quando tudo finalizado, alguma coisa exuberante aos olhos, e ainda conveniente e útil para a vida humana como um monumento do nosso tempo? Isso empregaria homens? Com certeza, empregaria!”.

Fonte: Carta Capital – Economia – Quinta-feira, 24 de maio de 2018 – 14h50 (Horário de Brasília – DF) – Internet: clique aqui.

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