«Quem em uma situação como esta, de injustiça social e repressão criminal, escolher o caminho da passividade e erguer a bandeira hipócrita da imparcialidade política torna-se cúmplice do mal.»

(Silvio José Báez – bispo-auxiliar de Manágua, Nicarágua, clamando contra a violência e repressão do governo de Daniel Ortega)

Quem sou eu

Jales, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; tenho Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, realizo meu Pós-doutorado na PUC de São Paulo. Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Papa Francisco e a Igreja chilena

“Este sinal do Papa é devastador para o que virá depois com os bispos”

Sergio Rodríguez
La Tercera
29-04-2018

Benito Baranda analisa a importância e os alcances do encontro, no Vaticano, do Pontífice com Juan Carlos Cruz, James Hamilton e José Andrés Murillo, vítimas dos abusos de padre Karadima, convidados pelo próprio Francisco
Da esquerda para a direita:
JUAN CARLOS CRUZ, JAMES HAMILTON & JOSÉ ANDRÉS MURILLO
três vítimas de abusos sexuais cometidos pelo padre chileno Karadima que se encontraram com Papa Francisco

«É um passo muito importante para a Igreja, particularmente para a Igreja chilena,
que há algumas décadas vem sofrendo com esse grave problema que nos aconteceu,
e que as autoridades eclesiásticas daqui não foram capazes de enfrentar com
a verdade, a honestidade, a diligência e o rigor necessários».

Direto

É assim que Benito Baranda se posiciona sobre o significado que, na sua opinião, tem a presença, neste momento, de três vítimas de Karadima no Vaticano, convidadas pelo próprio Papa Francisco.

Entre os dias 27 a 29 de abril passado, Juan Carlos Cruz, José Andrés Murillo e James Hamilton estão hospedados na residência do Vaticano em Santa Marta. Lá estão tendo encontros pessoais com o Pontífice, em que ele vai “pedir perdão pelo que eles sofreram”, como explicou o diretor de imprensa da Santa Sé, Greg Burke, e ouvir o seu testemunho sobre o ex-pároco de El Bosque e como foram tratados pelo clero local.

Entre os próximos dias 14 e 17 de maio, será a vez dos 33 bispos da Conferência Episcopal, também convocados por Francisco.

Baranda acompanhou a questão de perto. Leigo, próximo ao mundo jesuíta e atual presidente executivo internacional da Fundação América Solidária, ele foi o facilitador (coordenador) do Estado para a visita do Papa Francisco. E considera que a ordem dos encontros – primeiro as vítimas e depois os bispos – não é mera casualidade.

O Papa faz um gesto que não lembro de outro na história da Igreja. Ele está indicando para a Igreja do mundo e do Chile que as vítimas precedem suas autoridades, que somos todos iguais como batizados e que não por ter uma posição de autoridade tem maiores privilégios dentro da Igreja. Pelo contrário, deve-se servir e ouvir os outros (…). Esse sinal que o Papa está dando é devastador para o que virá depois com os bispos chilenos. O Papa disse: OK, vou ouvi-los, mas primeiro vou ouvir aqueles que foram vítimas de membros da Igreja e, além disso, por causa da gestão que ocorreu em uma crise muito profunda, mas que as pessoas que dirigiam a Igreja não quiseram ver, negaram ou não foram capazes de enfrentar”, disse.

Eis a entrevista.
BENITO BARANDA
Entrevistado

Que projeções você vê?

Baranda: O que está acontecendo vai permitir que comecemos a enfrentar como Igreja o que nos aconteceu. E não continuar ocultando, negando ou fazendo de verdugos as vítimas, mas efetivamente identificando-as como pessoas que foram brutalmente abusadas e prejudicadas pelo poder de sacerdotes e bispos.

É também uma sacudida na Igreja universal?

Baranda: A estrutura da Igreja, que é monárquica, tem dificuldades para dialogar. Isso não significa que muitos cardeais, bispos, sacerdotes e religiosos do Chile e do mundo não tenham grande capacidade de diálogo com suas comunidades. Eles existem e são muito valiosos. Mas o diálogo deveria ser a grande força da Igreja, junto com o amor, e isso se constrói aproximando as pessoas, todas, na diversidade que somos. Na estrutura eclesial e no modo como a Igreja no Chile tem sido governada nos últimos anos, esse diálogo retrocedeu. Basta passar pelas paróquias e ver o que acontece em algumas dioceses, não em todas, mas o isolamento de alguns sacerdotes é grande.

Você acha que uma questão de fundo é a legitimidade da hierarquia católica?

Baranda: No passado, a legitimidade de uma autoridade era dada por quem a designava. Hoje, essa é apenas uma parte, mas não tudo. A autoridade também é dada pelo comportamento e pela comunidade, quando vê que seu cargo os representa de uma maneira boa. Essa legitimidade no Chile foi se perdendo. Por algumas razões, passamos de uma das Igrejas mais confiáveis à menos confiável. Em qualquer outro campo, de negócios, política, esporte, todas as autoridades já teriam voado. Este é um fracasso retumbante dos líderes.

Não basta mais apenas a nomeação do Papa para um bispo?

Baranda: A nomeação de um bispo é feita pelo Papa, mas na sociedade contemporânea, uma parte vital da legitimidade é dada pelo nosso comportamento. Isso vale para todos, pais, mães, empresários, políticos, todos, também para a Igreja, a quem se exige uma concordância com o Evangelho. E isso aconteceu com a nossa Igreja. Em vez de olhar tanto para fora e criticar a sociedade, as decisões que tomamos como cidadãos, as autoridades eclesiásticas deveriam ter olhado mais para si mesmas e ter sido capazes de ouvir. Mas, graças a isso, veio a decisão do Papa. Porque as vítimas [de abusos sexuais] de [padre] Karadima que estão hoje no Vaticano não foram ouvidas com a mesma celeridade e profundidade pelos líderes da Igreja chilena.

Há três meses, em janeiro, o Papa tinha outro discurso sobre os denunciantes e até falou de difamação, o que ele posteriormente retificou. Como você viveu esse momento?

Baranda: No Chile, a trajetória do Papa começou oficialmente no Palácio La Moneda. E foi ali, não na catedral ou em uma missa, mas no Palácio do Governo, que ele pediu perdão pelos membros da Igreja Católica. Esse início e os diálogos mais privados que teve com outras pessoas foram muito auspiciosos. No entanto, a “derrapada” em Iquique lançou um manto de dúvidas. A reação imediata do arcebispo de Boston, Sean O'Malley, que viajou ao Peru, deve ter levado o Papa a duvidar e a pensar que havia algo mais profundo. E enviou uma terceira pessoa de sua confiança para ver o que estava acontecendo. Não deixou esse assunto nas mãos dos informantes de costume.

O Papa ouvirá mais pessoas?

Baranda: Pelas características do Papa, esses antecedentes serão muito importantes, mas deve haver outros (...). Conhecendo os bispos, particularmente oito deles mais de perto, eu sei que eles não são apenas pessoas que estavam certas de que Barros nunca deveria ter sido bispo, mas também que essa questão deveria ter sido encarada de maneira diferente. Eu penso que muitos, mais do que acreditamos, conversaram sobre isso com o Papa e passaram a ele informações (...). Eu tenho esperança. O caso de Karadima é a ponta de um iceberg que reflete o distanciamento com os jovens, com os pobres, um entrincheiramento doutrinal. Isso permitiu que se apagasse o fogo de estar disponível para os demais.
 
Tradução:
"Esperamos que o Papa transforme em ações exemplares e exemplificadoras
suas carinhosas palavras de perdão, se assim 
não for,
tudo isso será letra morta"

Vítimas de Karadima
Após reunião com o Papa Francisco
Pederastia.
O Papa e os bispos do Chile: é preciso esclarecer
“as responsabilidades de cada um”

Andrea Tornielli
Vatican Insider
12-05-2018

Três dias de reunião de Papa Francisco com os 33 bispos chilenos
a fim “estudar as mudanças adequadas e duradouras que impeçam
a repetição de atos sempre reprováveis”
Estes são alguns dos bispos chilenos denunciados pelas vítimas de abuso sexual,
especialmente por terem acobertado padre Karadima e outros abusadores e
terem usado de sua autoridade para impedir investigações autênticas

Três dias de reuniões na “auletta” da Aula Paulo VI, para falar com cada um dos 31 bispos ordinários e auxiliares atualmente na ativa no Chile e com dois eméritos. O objetivo é “discernir juntos, na presença de Deus, a responsabilidade de cada um” nas “feridas devastadorasprovocadas pelos abusos sexuais e de poder que ocorreram no país sul-americano, e “estudar as mudanças adequadas e duradouras que impeçam a repetição de atos sempre reprováveis”. Um longo “processo sinodal”, fruto da exaustiva investigação do arcebispo Charles Scicluna e depois das longas audiências que o Papa Francisco concedeu às três vítimas do padre Fernando Karadima (o poderoso pároco de El Bosque, em Santiago do Chile, líder carismático e formador dos futuros bispos que contou com proteção, porque seus repetidos e prolíficos abusos foram acobertados durante anos pela cúpula da Igreja chilena).

A Sala de Imprensa da Santa Sé informou que “o Papa Francisco se reunirá com os bispos do Chile de 15 a 17 de maio na ‘auletta’ da Aula Paulo VI”. Este encontro, indica a nota, “tem sua origem na precedente convocação do episcopado chileno em 8 de abril passado”.

“O Santo Padre – diz a Sala de Imprensa do Vaticano –, interpelado pelas circunstâncias e desafios extraordinários diante dos abusos de poder, sexuais e de consciência que ocorreram no Chile nas últimas décadas, considera necessário examinar profundamente as causas e consequências, assim como os mecanismos que levaram, em alguns casos, ao acobertamento e às graves omissões em relação às vítimas”.
DOM CHARLES SCICLUNA
Arcebispo de Malta encarregado por Papa Francisco de investigar os abusos na Igreja chilena

“Durante os encontros, o Papa Francisco deseja compartilhar as suas conclusões pessoais fruto da recente missão especial ao Chile”, confiada a dom Charles Scicluna, arcebispo de Malta, e ao padre Jordi Bertomeu, da Congregação para a Doutrina da Fé, e “completadas, além disso, com os numerosos testemunhos orais e escritos que Sua Santidade continuou recebendo nas últimas semanas”. Indicação que também se refere aos intensos e dramáticos encontros pessoais que o Pontífice teve com Juan Carlos Cruz, James Hamilton e José Andrés Murillo.

Durante os encontros, informa o comunicado, dos quais “participarão 31 bispos diocesanos e auxiliares e dois bispos emérito, o Santo Padre também será acompanhado pelo prefeito da Congregação para os Bispos”, o cardeal Marc Ouellet.
PADRE JORDI BERTOMEU
Congregação para a Doutrina da Fé - Vaticano, um dos investigadores dos abusos cometidos
por religiosos na Igreja chilena

“O objetivo deste longo ‘processo sinodal’ – explica a Santa Sé – é discernir juntos, na presença de Deus, a responsabilidade de todos e de cada um nessas feridas devastadoras, além de estudar mudanças adequadas e duradouras que impeçam a repetição de atos sempre reprováveis. É fundamental restabelecer a confiança na Igreja através de bons pastores que testemunhem com a própria vida o conhecimento da voz do Bom Pastor e que saibam acompanhar o sofrimento das vítimas e trabalhar de modo determinado e incansável na prevenção dos abusos”.

“O Santo Padre – conclui a declaração – agradece a disponibilidade dos seus irmãos Bispos de se colocar à escuta dócil e humilde do Espírito Santo e renova seu pedido ao Povo de Deus no Chile para continuar em estado de oração pela conversão de todos. Não há previsão de que o Papa Francisco faça qualquer declaração durante ou após os encontros, que acontecerão em absoluta confidencialidade”.

A viagem mais incerta vivida pela Igreja chilena

María José Blanco
La Tercera
10-05-2018

O Episcopado emitiu um comunicado intitulado:
“Com a esperança de uma fecunda renovação”
O homem de terno escuro com uma mala pequena 
é o CARDEAL ERRÁZURIZ que, 
após negar sua participação na reunião com o Papa,
acabou sendo obrigado por este a comparecer.
Na foto ele aparece embarcando para Roma
conforme exigência de Francisco

Uma dezena de prelados [bispos] tomaram seus voos ao Vaticano para a reunião com o Papa. A maioria não quis fazer declarações. O Episcopado emitiu um comunicado intitulado: Com a esperança de uma fecunda renovação.

“Para colaborar ‘no discernimento das medidas que a curto, médio e longo prazo deverão ser adotadas para restabelecer a comunhão eclesial no Chile, com o objetivo de reparar no possível o escândalo e restabelecer a justiça’. Com humildade e esperança atendemos ao chamado”.

Assim, recordando ao pé da letra uma frase da carta que o Papa lhes enviou, no último dia 8 de abril, os bispos da Conferência Episcopal do Chile, através de um comunicado, expressaram o ânimo com o qual se apresentarão ao Pontífice, entre os próximos 14 e 17 de maio.

Reiteramos nossa união com o Papa Francisco, na dor e vergonha expressada diante dos crimes cometidos contra menores e adultos em ambientes eclesiais. Reconhecemos que, apesar das ações realizadas nestes anos pela Igreja, nem sempre se conseguiu curar as feridas dos abusos, que continuam sendo uma chaga aberta”, acrescentou-se no documento.

Desse modo, enquanto o primeiro grupo de bispos partia para o Vaticano, no voo A2689 da companhia aérea Alitalia, a Conferência Episcopal do Chile intitulava sua declaração: Com a esperança de uma fecunda renovação.
PADRE FERNANDO KARADIMA
Chileno acusado de envolvimento em vários casos de pedofilia

Os rostos estavam relaxados, inclusive sorridentes, mas a tensão também se notava no ambiente. Inclusive, pela expectativa da imprensa. Aquela carta de abril foi categórica. Direta. O Papa convalidou os depoimentos dos denunciantes de Karadima, disse sentir “dor e vergonha”, lamentou não ter recebido “informação verdadeira e equilibrada”, e sugeriu colocar a Igreja chilena em “estado de oração”. Esse documento, cheio de crítica e autocrítica, é a gênese da viagem dos bispos que massivamente foi iniciada nesta quinta-feira, e que conta com todos os olhos do mundo colocados sobre a Igreja local. Claramente, não é um passeio.

A reunião, que durará três dias e meio, terá como eixo central as conclusões do relatório que o arcebispo de Malta, Charles Scicluna, elaborou, por ordem papal, a respeito das denúncias sobre eventuais acobertamentos do bispo de Osorno, Juan Barros, no caso Karadima.
DOM JUAN BARROS
Bispo de Osorno, no Chile, acusado de acobertar padre Karadima

Os 31 membros da Conferência Episcopal que viajam sabem o que enfrentam. Uma reunião na qual o Papa poderá introduzir mudanças profundas na cúpula eclesial chilena.

Por volta das 9h, no Aeroporto de Santiago, os prelados começaram a ser vistos. Vários já estão na Europa, como os bispos Juan Barros (Osorno), Horacio Valenzuela (Talca) e Tomislav Koljatic (Linares) - os três mais vinculados ao ex-pároco de El Bosque -, além de Bernardo Bastres (Punta Arenas). Mas, a grande maioria partiu nesta quinta-feira.

Um dos primeiros a aparecer no setor de conexões internacionais e solitariamente foi o bispo de Iquique, Guillermo Vera, que disse ao La Tercera que este “é um momento de diálogo, de nos escutarmos, de escutar o Papa e de buscar o melhor para a Igreja no Chile”.

Vera, que durante 15 minutos permaneceu na fila para o check-in de forma silenciosa, acrescentou que “é bom que o Papa nos reúna e queira conversar. Isso fala de sua preocupação com a Igreja, que deve ser uma comunidade de luz e esperança”.

Poucos minutos depois, no mesmo setor do terminal aéreo, chegou o bispo de Ancud, Juan María Agurto, que concordou com Vera e fez um mea culpa a respeito de como os religiosos devem servir o país. “Tanto o Papa Bento como o Papa Francisco receberam as vítimas destes fatos. Recordemos que (Francisco) fez isto aqui também, no Chile, sendo assim escutaremos toda a avaliação que o Papa reuniu e juntos discerniremos, como pastores, sobre o modo como devemos continuar caminhando”.

De forma paralela, mas pelo setor VIP do aeroporto, começaram a chegar outros bispos. Entre eles, Carlos Pellegrin (Chillán), junto ao bispo emérito de La Serena, Manuel Donoso.

Em seguida, chegou Jorge Vega, de Illapel, e Cristián Contreras Villarroel, de Melipilla. Pouco tempo depois, no mesmo local, se apresentaram o bispo auxiliar de Santiago, Fernando Ramos; Cristián Contreras Molina, de San Felipe; e o bispo de Rancagua, Alejandro Goic, que destacou, em relação ao encontro, que “não há nada a dizer”.

O último a chegar nesse setor foi o arcebispo de Santiago, Ricardo Ezzati. Desceu de seu carro e se dirigiu diretamente ao espaço VIP, sem dar declarações. Nesta sexta-feira, viajará outro grupo, entre os quais está o bispo de San Bernardo, Juan Ignacio González. No sábado, os últimos, e na segunda-feira [dia 14 de maio] os 31 estarão no Vaticano.

Os dois primeiros artigos foram traduzidos do espanhol e do italiano, respectivamente, por André Langer. O terceiro e último artigo foi traduzido do espanhol pelo Cepat.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos – Notícias – 02/05/2108, 13/05/2108 e 12/05/2018 – Internet: clique aqui, aqui e aqui

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