«Penso noventa e nove vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio – e eis que a verdade se me revela.»

(Albert Einstein [1879-1955] – físico teórico alemão, um dos mais ilustres cientistas do mundo)

Quem sou eu

Jales, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; tenho Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, realizo meu Pós-doutorado na PUC de São Paulo. Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

O FUTURO DA FÉ CRISTÃ NO MUNDO

Papa se concentra em futuro da fé católica no Hemisfério Sul

Jason Horowitz
The New York Times

Estratégia visa evitar que Igreja Católica perca terreno na região
PAPA FRANCISCO
desvia a atenção da Europa e imagina uma Igreja preocupada com as necessidades dos pobres e dos desamparados

Foto: Tiziana Fabi/AFP

Quando cerca de um terço da população católica da Irlanda foi assistir à celebração da Missa pelo papa João Paulo II em Dublin, em 1979, o divórcio, a homossexualidade e o aborto eram ilegais no país. A Irlanda, assim como grande parte da Europa, obedecia aos ensinamentos do catolicismo.

Em agosto, o papa Francisco voltará à Irlanda para um Encontro Mundial das Famílias, do qual participarão os ativistas da Igreja mais ligados ao movimento contrário ao aborto. Mas depois do histórico repúdio da proibição do aborto em uma votação esmagadora, no dia 26 de maio, eles se encontrarão em um país que faz claramente parte do movimento secular de saída da Europa do aprisco católico.

Em toda a Europa ocidental, o poder outrora enorme da Igreja se enfraqueceu, principalmente por causa dos escândalos sexuais que o clero infligiu a si próprio e da sua incapacidade de fazer frente à mudança dos tempos e de preservar os católicos contemporâneos. A frequência à Igreja despencou, as paróquias estão se fundindo, e há escassez de novas vocações. Os casamentos entre pessoas do mesmo sexo aumentam, e o aborto foi amplamente legalizado.

Entretanto, Francisco não soou o alarme. Ele parece resignado a aceitar o fato de que a Europa católica retrocedeu ao passado da Igreja.

Ele desviou sua atenção do futuro da fé para o hemisfério ocidental do qual é filho. No centro da visão de Francisco está a proximidade dos sacerdotes com os pobres e desamparados aos quais ele acredita que a Igreja deve servir.

Esta guinada suscitou as críticas dos católicos conservadores, como os da Polônia, o país mais conservador do continente, que se aliaram a um governo nacionalista contra os migrantes.

Mas o pontífice argentino claramente acredita que enfatizar um fraco ministério pobre da Igreja para os marginalizados do mundo é uma mensagem global mais autêntica e mais atraente do que a defesa das raízes cristãs da Europa.

Tratar o Hemisfério Sul contra:
* o flagelo dos escândalos dos abusos sexuais,
* do secularismo crescente e
* de um clero distante da realidade que devastou o catolicismo na Europa exigirá toda a atenção do papa.

Talvez isto explique por que Francisco, embora tenha se calado no caso da Irlanda antes da votação, em maio se concentrou em um escândalo de abusos sexuais no Chile, que ameaça a credibilidade da Igreja naquele país.
JUAN CARLOS CRUZ
um dos principais acusadores de casos de abusos cometidos pela Igreja Católica no Chile

Foto: Andres Kudacki/Associated Press

“O escândalo dos abusos sexuais e a negligência dos bispos chilenos provocou um enorme dano”, afirmou Juan Carlos Cruz, um sobrevivente de abusos sexuais que recentemente esteve com o papa. Ele esperava que o Vaticano responsabilizasse os bispos e que desse a esta estratégia uma chance de sucesso no Chile. O fato de não ter falado da crise, segundo Cruz, causou um “rápido aumento do secularismo em países nos quais era forte a esperança de uma expansão”.

Também na América Latina e na África, há sinais de que a Igreja está perdendo terreno em um amplo mercado religioso.

No Brasil, país que tem a maior população católica do mundo, os evangélicos que pregam o evangelho da prosperidade competem acirradamente com o catolicismo, que, segundo as projeções, deverá se tornar um credo de minorias em 2030. Francisco realizou sua primeira viagem apostólica ao Brasil depois de sua eleição.

Enquanto Francisco vê a preocupação pelos pobres como a maior esperança da Igreja, o seu predecessor Bento XVI, um alemão, via o secularismo como a maior ameaça ao futuro da Igreja. Sua homilia antes da eleição contra a “ditadura do relativismo” contribuiu para a sua subida ao trono de Pedro, e o seu pontificado foi considerado por muitos um esforço extremo para salvar a Europa e suas raízes cristãs. Mas a erosão europeia continuou inelutavelmente, e Bento renunciou ao trono em 2013.

Para suceder-lhe, os cardeais escolheram o primeiro cardeal não europeu em quase 1.300 anos. Segundo os analistas, a Igreja reconhecera que o seu futuro estava em outra parte.

Na Itália, muitas paroquias católicas agora são dirigidas por sacerdotes nascidos fora do país, e o papa declarou que talvez esteja na hora de fundir algumas das centenas de paróquias de todo o país.

Na maior parte do Luxemburgo católico, o governo, liderado por um primeiro-ministro gay, aboliu no final do ano passado o ensino religioso nas escolas públicas. Em 2012, a Arquidiocese de Viena consolidou suas 660 paróquias em 150.

Somente um em cada cinco católicos assiste à missa na Espanha hoje. Na França, um em cada 10.

Na Irlanda, a votação sobre o aborto foi o último salto que distanciou os fiéis de uma Igreja que há muito dominava a cultura do país. A Irlanda já tinha aprovado em plebiscito a legalização do casamento gay.

“A influência da Igreja católica sobre as pessoas diminuiu”, afirmou Mary McAuliffe, professora do University College Dublin. “É um fato inegável”.

A Polônia é o país mais católico da Europa. Cerca de 40% dos católicos assistem à missa aos domingos, quase todos são batizados, e ela atualmente exporta sacerdotes para outros países europeus.

Monsenhor Edward Staniek, um padre polonês que está preocupado em proteger os valores tradicionais católicos, disse no início deste ano que orava para que Francisco concordasse com a sua maneira de pensar o problema ou então “tivesse uma rápida passagem para a casa do Pai”.

Na Hungria, muitas autoridades da Igreja se aliaram ao primeiro-ministro contrário à imigração, Viktor Orban, de formação protestante e que antes se mostrava ambivalente a respeito da religião, mas agora afirma: “A identidade europeia tem suas raízes no cristianismo”. Enquanto isto, os populistas na Itália afirmam que Francisco está abandonando essencialmente a luta pela identidade cristã da Europa.

Se a votação esmagadora da Irlanda preocupou Francisco, não o demonstrou no domingo, depois da votação. Ele sorriu tranquilo ao abençoar os fiéis na Praça de São Pedro e os instou a orar pela África.

Kilvia Passos, 47, saudou o papa erguendo a bandeira da sua terra, o Brasil. E disse que apesar da crescente concorrência dos evangélicos em seu país, o Brasil continua profundamente católico. Mas até pouco tempo atrás, também a Irlanda e o resto da Europa afirmavam o mesmo.

“O que nos preocupa é o que está acontecendo aqui”, ela disse.

Fonte: O Estado de S. Paulo – Internacional – Sábado, 2 de junho de 2018 – 10h15 (Horário de Brasília – DF) – Internet: clique aqui.

ENQUANTO ISSO... NA EUROPA

Espanha.
Mais da metade dos jovens não creem mais

Redação
Religión Digital
01-06-2018

Os jovens que não creem em Deus nem praticam qualquer religião chegaram, em 2017, a 53,5%, superando pela primeira vez o
número daqueles que creem
Síndrome das igrejas vazias na Espanha

E em relação ao conjunto da população, um de cada quatro espanhóis não é religioso, segundo o estudo “Laicismo em números 2017”, da Fundação Ferrer i Guàrdia.

Este ano, no entanto, o percentual de não crentes caiu 0,8%, mesmo que, de acordo com a diretora da Fundação, Sílvia Luque, isso “não represente propriamente uma mudança de tendência”, segundo declarou à agência Efe, mas um aspecto estatístico, uma vez que de 1980 para cá, a população não religiosa aumentou de forma constante.

Segundo Luque, a diminuição do número de pessoas crentes ocorreu de maneira “marcada” entre 1980 e 2010, uma tendência que teria dado lugar agora a uma “estagnação”, porque “são mudanças lentas”.

A não religiosidade entre os jovens, sim, continua crescendo, mas seu peso populacional é menor e, portanto, tem menos impacto na estatística geral”, disse Luque.

Jovens se afastam da religião

Atualmente, a idade é um dos fatores que mais incide sobre a probabilidade de professar uma religião: enquanto 53,5% dos com menos de 25 anos não creem, essa proporção diminui para cada faixa etária, até chegar a 6,7% nos maiores de 65 anos.

O relatório também inclui “grandes diferenças” territoriais, já que enquanto 39% dos catalães se declaram não religiosos, apenas 9% de murcianos compartilham essa característica.

A Catalunha é seguida, com maior número de não religiosos, pelo País Basco, as Ilhas Baleares e Navarra, enquanto que seguindo Múrcia, com menor número de não religiosos, estão Aragão, Castela-La Mancha e Extremadura.

“Os territórios mais urbanizados e industrializados mais cedo mostram uma secularização mais avançada, porque as áreas rurais mantiveram mais as tradições, incluindo aquelas de natureza religiosa”, explicou Luque.

Outro dado que se destaca no relatório é o declínio sustentado da importância da religião na vida, que, pela primeira vez em 2014, foi ultrapassada pela política, tendência que perdura até hoje.

No ofício dos ritos de passagem (batismo, casamento e exéquias) também há uma tendência de secularização acentuada, já que a proporção de casamentos civis e religiosos “inverteu-se completamente” em 20 anos: se em 1996, 76,7 % das uniões eram confessionais, agora elas representam apenas 27,5%.

Outra tendência das últimas décadas é o aumento das crianças nascidas de pais não casados, que em 1990 representavam 9,6% e hoje chegam a 44,4%.

Uma faceta que o relatório também analisa é o impacto da religião na educação, e destaca que 18% dos estudantes espanhóis estão matriculados em um centro privado de confissão religiosa, em comparação com 68% dos alunos matriculados em escolas públicas e 14% em uma escola privada laica.

Quanto à opinião sobre o aborto:
* 79% dos ateus e 72% dos não crentes mostram-se a favor,  
* em comparação com 40% dos católicos e 26% dos crentes de outras religiões,
* porcentagens que se repetem de maneira similar na avaliação da igualdade do direito de adoção para casais homossexuais.

Os sociólogos Hungría Panadero e Josep Mañé são os autores do relatório, que é publicado anualmente há sete anos para “fazer um Raio-X do laicismo em um sentido amplo”, segundo Luque, incluindo a profissão de fé da população, mas também a análise das relações entre Igreja e Estado.

Traduzido do espanhol por André Langer. Acesse a versão original, clicando aqui.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos – Notícias – Sábado, 2 de junho de 2018 – Internet: clique aqui.

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