«Somente a turba e a elite podem ser atraídas pelo ímpeto do totalitarismo. As massas precisam ser ganhas por propaganda.»

(Hannah Arendt [1906-1975] – filósofa alemã de origem judaica, uma das mais influentes do séc. XX)

Quem sou eu

Jales, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; tenho Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, realizo meu Pós-doutorado na PUC de São Paulo. Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

domingo, 24 de junho de 2018

Solenidade da Natividade de São João Batista – Homilia

Evangelho: Lucas 1,57-66

57 Completou-se o tempo da gravidez de Isabel, e ela deu à luz um filho.
58 Os vizinhos e parentes ouviram dizer como o Senhor tinha sido misericordioso para com Isabel, e alegraram-se com ela.
59 No oitavo dia, foram circuncidar o menino, e queriam dar-lhe o nome de seu pai, Zacarias.
60 A mãe porém disse: «Não! Ele vai chamar-se João.»
61 Os outros disseram: «Não existe nenhum parente teu com esse nome!»
62 Então fizeram sinais ao pai, perguntando como ele queria que o menino se chamasse.
63 Zacarias pediu uma tabuinha, e escreveu: «João é o seu nome.»
64 No mesmo instante, a boca de Zacarias se abriu, sua língua se soltou, e ele começou a louvar a Deus.
65 Todos os vizinhos ficaram com medo, e a notícia espalhou-se por toda a região montanhosa da Judéia.
66 E todos os que ouviam a notícia, ficavam pensando: «O que virá a ser este menino?» De fato, a mão do Senhor estava com ele.
80 E o menino crescia e se fortalecida em espírito. Ele vivia nos lugares desertos, até o dia em que se apresentou publicamente a Israel. 

JOSÉ MARÍA CASTILLO
Teólogo espanhol

O PRECURSOR DO MESSIAS

O dia de São João Batista recorda a todos o momento no qual se inicia uma das mudanças mais decisivas na história da humanidade. João Batista é o único santo do qual a Igreja celebra o nascimento. Independentemente das razões que tiveram aqueles que instituíram essa festa, para comemorar hoje, não sua morte, mas seu nascimento, o que deve chamar a atenção daquele que crê é que, com a chegada de João Batista a este mundo, encerra-se uma etapa na história das tradições religiosas, e se abre outra: «A Lei e os Profetas chegaram até João Batista; desde então se anuncia o Reino de Deus» (Lc 16,16; Mt 11,13).

Com João encerra-se a etapa marcada pela lei religiosa e se abre a etapa do Reino, que é vida para os pobres, enfermos e pecadores. Dizendo mais claramente: a presença de João Batista neste mundo anuncia a todos que o «fato religioso» se desloca. O centro desse fato deixa de estar no Templo e passa à rua, ao campo, ao deserto. O central não será mais «o sagrado», mas «o profano». É isso mesmo!

Enquanto ao nome, João significa em hebraico «Javé é clemente». Pois bem, a clemência se traduz geralmente pela palavra grega «éleos», que significa misericórdia. O que nos vem dizer que o próprio nascimento de João Batista representa uma mudança assombrosa: Deus não se encontra no «sagrado», mas na «misericórdia». João é o precursor porque é o anuncio vivo da grande transformação do fato religioso: da religião dos «homens sagrados» à religião dos «homens misericordiosos».

João representou uma inovação importante em seu tempo. Era filho de um sacerdote (Zacarias) e sua mãe (Isabel) era da família de Aarão (Lc 1,5). Ou seja, João era de família sacerdotal em sentido pleno. O lógico era que ele fizesse o que lhe correspondia, integrar-se no Templo e viver como sacerdote. Porém, ele não fez assim. João foi um homem do deserto, lugar de perigo e marginalização social, onde viviam pessoas que não tinham boa relação com o Templo, como era o caso dos monges de Qumran.

Porém, João foi somente o primeiro caso de um deslocamento decisivo. A passagem da etapa da Lei e do Templo para a etapa do Reino de Deus. Há diferenças entre João e Jesus. Reduzindo essas diferenças ao essencial, é seguro que o centro das preocupações de João foi a conversão dos pecadores. Enquanto que o centro das preocupações de Jesus foi a saúde dos enfermos e a alimentação (como comensalidade) de todos, especialmente dos pobres e excluídos sociais. No fundo de tudo, estava o fato que João cria em um Deus justiceiro e castigador (Mt 3,12; Lc 3,17), enquanto que Jesus creu sempre em um Pai absolutamente bom com todos (Lc 15,11-32).

Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: José María Castillo. La religión de Jesús: comentario ao Evangelio diario – Ciclo A (2016-2017). Bilbao: Desclée De Brouwer, 2016, página 277; La religión de Jesús: comentario ao Evangelio diario – Ciclo B (2017-2018). Bilbao: Desclée De Brouwer, 2017, páginas 239-240.

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